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Sem telefones celulares, dentes azuis ou aplicativos. Em 1996, a música era ouvida através do rádio, dos CDs e até, embora em declínio, das fitas cassete. E naquele momento “pré-histórico” da tecnologia, há muito longos 30 anos, foi um enorme sucesso que foi tocado em todo o lado e a todo o momento. E não foi cantada por um artista famoso ou por um grupo estabelecido.
Basta escrever dois versos daquela cativante canção de cumbia para quem viveu os anos 90 na Argentina se lembrar dela, para o bem ou para o mal, e começar a cantar junto. Aqui está: “Marta, eu sou a primeira / Marta, vou te vacinar quando puder“.
A música, aliás, chamava-se “Marta” e era cantada por um certo Sérgio, o “Lobo do Oeste”. Isso foi estranho, diferente do que acontece com os outros manterEssa música travessa e cheia de maus gestos nasceu para musicar uma peça de TV.

Ele estava por trás de “El Lobizón del Oeste”. Sérgio Gonal. O já famoso comediante de Mar del Plata fazia suas primeiras aparições na televisão nacional naquela época. Ele fez isso no programa de grande sucesso do momento, VideoMatcha cabeça Marcelo Tinelli em Telefé.
Entre as paródias e câmeras escondidas que apresentavam as clássicas transmissões do canal Balla, o apresentador teve a ideia de fazer um programa de faltas escolares. Nele, um conhecido cantor, o já citado Lobizón, contrastava com a convidada desse ciclo, a glamorosa Nicole Neumann.
Esse programa apócrifo nunca foi ao ar, mas aparentemente Tinelli viu potencial no personagem que Gonal interpretou. Depois foi criado o Tropimatch, uma réplica de um programa de bailanta, como diziam então, onde Lobizón del Oeste era um dos artistas. E quando ele cantou “Marta” tudo explodiu.
Quatro álbuns de platina
Quando em um ano Luís Miguel Ele quebrou com a música “Sueña”. O Corcunda de Notre Dameonde Shakira emocionou a FM com “Aqui estou” ou Fey encheu os ouvidos da Argentina com “Azúcar Bitter”, El Lobizón del Oeste não ficou para trás. De jeito nenhum
“Marta”, que estreou na televisão no dia 23 de abril, liderou a lista dos canais FM mais importantes. Também foi lançado o álbum Tropimatch, que incluiu a música e revolucionou a indústria musical. Foram vendidos 300 mil discos em três meses, número necessário para atingir quatro álbuns de platina.
Por isso, GonalChegando pouco antes de Mar del Plata, como ele disse, “uma mão atrás e outra na frente”, alcançou sucesso e fama “graças ao boom de Marta”. Além disso, a música rendeu recitais no Peru, Colômbia, Paraguai e Uruguai.
“Ele me impulsionou a seguir o caminho do músico, era impensável para mim. Tive a sorte de encontrar um personagem que as pessoas precisavam, com travessura e duplo sentido”, disse o ator e comediante em reportagem recente no meio de comunicação uruguaio El País.
O dono do sucesso inesperado disse ainda nessa entrevista que o dinheiro dos lucros de “Marta” foi distribuído “entre nós que trabalhámos na produção”. Ele explicou que sim, porque tanto o personagem quanto o álbum nasceram de um esboço do Videomath. De qualquer forma, o maranhense afirmou que financeiramente a questão “me ajudou muito”.
Uma equipe de primeira
Em relação à realização da música, é preciso dizer que a letra, onde a sutileza se destaca na sua ausência, é a mesma. Gonal.
A música, contagiante como poucas, foi feita Diego Chicou, então produtor musical do VideoMatch. Este compositor deu o tom aos esquetes do programa com canções, algumas das quais são bem lembradas, como “Los Reporteros”, “Los Jaimitos” ou “Los Taxi Boys”.
“Quem não tinha aquele disco?”, lembra o autor musical da revista Caras, acrescentando a informação: “El Potro Rodrigo fez uma versão de ‘Marta’ depois da gente e vendeu um disco de Ouro. Foi uma surpresa para todos”.
Outro fato pouco conhecido sobre a música relembrada é que para a gravação em estúdio do álbum Tinelli Ele chamou os melhores músicos. “Koti Sorokin”. Foi baixo. Nos ventos, Miguel Ángel Tallarita, de Los Pericos, e Huber Reyes, na Percussão, que tocou com Patricia Sosa”, explicou Gonal ao referido meio de comunicação uruguaio.
Lá o ator também lembrou do empresário Eduardo Constantini Lobizón del Oeste levou ele e seu grupo para tocar em um palácio de San Isidro para o “pequeno” público.
Além disso, Gonal disse que Tinelli pediu para ele realmente cantar no programa, sem faixa ou playback, o que custou disfonia ao ator. Mas esse obstáculo obrigou-o a procurar um fonoaudiólogo para ensiná-lo a respirar e a trabalhar a voz como um profissional.
Ainda resta a memória e o vídeo oficial da música daquela época distante, de três décadas atrás, em que GonalCom cabelos pretos, cachorro e roupas que recriam a melhor dançarina dos anos noventa, ela canta seu hit.
Nele, a performer viaja em uma limusine com lindas garotas, compartilha cenas com a suposta “Marta” de minissaia verde, dança com a galera em um parque e não para de fazer o inconfundível gesto de braço durante o refrão da música.
Um detalhe curioso é que entre os “músicos” que contribuem no clipe, no teclado, Marcelo De Bellisanos depois, o ator ganharia grande fama em seu papel Dardo Fuseneco no ano Casado e com filhos.
Sem dúvida, foram as mulheres que não ficaram satisfeitas com este incrível sucesso Marta. Nas boates, na rua e em outros locais públicos, essas mulheres, assim que o nome era citado, tinham que suportar a resposta automática: “Eu sou um número” ou, pior, a segunda parte do verso.




