Quatro enfermeiras que estavam em tratamento contra o Ébola causado pela estirpe Bundibugyo do vírus receberam alta de um hospital em Bunya, na República Democrática do Congo, depois de recuperarem da doença, informou a Organização Mundial de Saúde no domingo.
Esperam-se mais recuperações, especialmente quando as pessoas são diagnosticadas precocemente e conseguem ter acesso aos cuidados, e à medida que a resposta ao surto se acelera.
Um trabalhador de laboratório também se recuperou no início desta semana, disse a agência, elevando para cinco o número total de pessoas que se recuperaram do vírus. No entanto, casos suspeitos estão sendo observados no Brasil e na Itália, ligados a viagens provenientes dos países afetados.
O número de casos confirmados de Ébola no país subiu para 282, com 42 mortes, depois de terem sido registados 19 novos resultados positivos de testes, segundo dados distribuídos pelo Ministério das Comunicações.
No início deste mês, a OMS declarou um surto causado pela rara variante Bundibugyo do vírus na República Democrática do Congo e no Uganda uma emergência de saúde pública de preocupação internacional, embora não cumpra os critérios para uma emergência pandémica.
O Diretor-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante uma visita a Bunya no sábado – a capital da província oriental congolesa de Ituri – observou que embora não exista atualmente nenhuma vacina licenciada ou tratamento para o Ébola causado pelo vírus Bundibugyo, “não é sem esperança”, pois com bons cuidados médicos a sobrevivência pode ser alcançada.
Casos suspeitos fora de África
O surto – o 17.º no Congo e o terceiro maior desde que o Ébola foi descoberto, há meio século – está a pôr fim à resposta global, que começou tarde.
“O risco de propagação regional já está a acontecer”, disse Jean Cassia, diretor-geral dos Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças, num artigo de opinião da AFP publicado no domingo. Ele disse que mais de 1.100 casos suspeitos estavam sendo investigados.
No Brasil, uma pessoa com suspeita de caso de Ebola em São Paulo testou positivo para meningite. Outro caso suspeito apareceu no Rio de Janeiro, onde um paciente testou positivo para malária, disseram autoridades de saúde locais no domingo. Em nenhum caso o diagnóstico exclui a possibilidade de Ebola, disseram.
No caso de São Paulo, um homem da República Democrática do Congo contraiu febre após visitar recentemente o país africano enquanto estava no Rio, o paciente havia viajado recentemente para Uganda.
Em Itália, os protocolos para um caso suspeito de Ébola foram iniciados na capital da Sardenha, Cagliari, para um homem que regressou do Congo no sábado com alguns sintomas, mas o ministério da saúde disse na manhã de segunda-feira que o seu teste foi negativo.
“Confirmamos que o risco (de Ébola) continua muito baixo em Itália”, afirmou o ministério.


