Um ex-general sírio e um ex-oficial da polícia síria foram julgados em Viena na segunda-feira, acusados de torturar opositores do agora deposto governo de Bashar al-Assad.
Os procuradores do Estado em Viena afirmaram num comunicado que os dois foram acusados de “ter, em diversas ocasiões, ordenado ou deixado de se opor aos maus-tratos infligidos a membros de um movimento de protesto”.
O arguido, um antigo general de brigada dos serviços de inteligência da Síria e antigo chefe do gabinete de investigação da polícia criminal local, terá cometido os crimes em Raqqa entre Abril de 2011 e Março de 2013.
A declaração do promotor não nomeou os acusados, de acordo com o procedimento antes de proferir qualquer decisão judicial.
O jornal austríaco Der Standard nomeou o oficial de inteligência como Brigadeiro General Khaled Al-Halabi.
A Agência de Notícias E disse que ele estará sob custódia até o final de 2024.
O New York Times, em novembro, nomeou Al-Halabi e seus co-acusados como tenente-coronel Musab Abu Raqbah, citando seu advogado de defesa.
– morando na Áustria –
Ambos os sírios solicitaram asilo na Áustria em 2015 e residem no país da Europa Central desde então.
Os procuradores austríacos alegaram na sua declaração: “A pedido do governo central e do Gabinete de Segurança Nacional da República Árabe Síria, 21 pessoas detidas em prisões foram torturadas e maltratadas como parte da repressão a um movimento de protesto civil”.
Na altura da acusação do oficial de inteligência, os activistas consideravam-no o oficial sírio de mais alto escalão responsável por abusos na Europa.
Ele é acusado de tortura, coerção agravada, coerção sexual, bem como múltiplas acusações de lesões corporais graves, e pode pegar até 10 anos de prisão.
O agente da polícia está acusado de lesões corporais graves, coação agravada e coação sexual, bem como de dez anos de prisão.
O prazo de prescrição de 10 anos que normalmente seria aplicado foi cobrado, disse a acusação.
Os tratados internacionais, incluindo a Convenção das Nações Unidas contra a Tortura e o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional, obrigaram os procuradores a apresentar queixa, disseram.
A lei austríaca prevê a jurisdição dos tribunais locais sobre certos crimes cometidos no estrangeiro.
– Supostas vítimas devem testemunhar –
O tribunal de Viena é competente porque o arguido aí reside. 13 dias de audiência estão programados até 30 de junho.
Espera-se que as supostas vítimas que residem na Síria e na Europa testemunhem.
Anwar al-Bani, um advogado sírio radicado na Alemanha que passou cinco anos em prisões sírias, disse que o general deveria ter enfrentado acusações adicionais.
Ele chamou o julgamento de “importante”, mas disse à AFP: “Realmente não entendo por que não o acusam de crimes contra a humanidade”.
Altos funcionários austríacos suspeitavam que o antigo brigadeiro-general tinha recebido protecção em 2023 com base em suspeitas razoáveis.
Os promotores os acusaram de ajudar a garantir proteção no país alpino, citando um acordo que teria sido concluído em maio de 2015 com o Mossad de Israel.
Diz-se que a Mossad retirou o oficial militar sírio de França, onde se encontrava na altura, e o trouxe para a Áustria.
Em 2016, a Comissão para Justiça e Responsabilidade Internacional, um grupo que recolhe provas de alegados criminosos de guerra, denunciou os alegados crimes de Al-Halabi a Viena.
Segundo A, o acordo com a Mossad, codinome “White Milk”, foi supervisionado por Martin Weiss, então chefe do serviço de inteligência austríaco.
Weiss está foragido em Dubai e procurado por ligações com outro espião austríaco fugitivo, John Marsalk, suspeito de ser protegido por Moscou.
Tatiana Urdunita Vitek, do Centro para a Aplicação dos Direitos Humanos Internacional, advogada que representa 18 das 21 supostas vítimas, disse ao E que existe o perigo de a Áustria estar a abrigar criminosos.
“A Áustria não deveria ser um refúgio para criminosos de guerra”, disse ele.
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RIL
A empresa do New York Times
Este artigo foi criado a partir de um feed automatizado de uma agência de notícias sem alterações no texto.

