Uma segunda libertação de prisioneiros ligados aos protestos eleitorais de 2024 é uma possível medida de apaziguamento de Maduro.
Publicado em 1º de janeiro de 2026
O governo do líder venezuelano Nicolás Maduro libertou dezenas de prisioneiros detidos em protesto contra sua disputada vitória nas eleições de 2024 no país.
Pelo menos 87 prisioneiros foram libertados enquanto a administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, continuava a sua campanha de pressão contra Caracas.
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Foi a segunda divulgação em menos de uma semana, vista por alguns observadores como uma tentativa de adotar um tom mais conciliatório, mesmo quando alguns observadores acusaram Maduro de tentar derrubar o seu governo e confiscar as vastas reservas de petróleo da Venezuela.
Dois grupos de direitos humanos, o Comité para a Liberdade dos Presos Políticos e o Comité para as Mães em Defesa da Verdade, confirmaram a libertação na quinta-feira.
O Comité para a Liberdade dos Presos Políticos escreveu nas redes sociais que “na manhã de 1 de janeiro, mães e familiares relataram novas libertações de presos políticos da prisão de Tocoran, no estado de Aragua”, no norte da Venezuela.
O governo venezuelano anunciou anteriormente a libertação de 99 prisioneiros em 25 de dezembro, chamando-a de “manifestação concreta do compromisso do Estado com a paz, o diálogo e a justiça”.
No entanto, o Foro Penal, o principal grupo de direitos humanos da Venezuela, disse que só conseguiu verificar a libertação de 61 prisioneiros na altura.
Maduro venceu a votação de julho de 2024, garantindo um terceiro mandato de seis anos. A oposição alegou fraude generalizada, depois de Edmond González ter publicado resultados verificados por peritos independentes, mostrando que tinha ganho por uma vitória esmagadora.
González concorreu depois que a líder da oposição Maria Corina Machado foi proibida de concorrer. Machado surgiu recentemente em Oslo, na Noruega, depois de meses escondido.
A votação contestada provocou protestos generalizados em todo o país, resultando em pelo menos 28 mortes e milhares de prisões.
Os registos oficiais mostram que pelo menos 2.000 pessoas foram libertadas, mas acredita-se que mais de 700 ainda estejam detidas por razões políticas.
A disputada eleição aliviou, em parte, a pressão da administração Trump contra Maduro, a quem acusa de dirigir uma operação de tráfico de drogas destinada a desestabilizar os EUA.
O Pentágono reforçou os meios militares ao longo da costa da Venezuela desde agosto, depois de Trump ter revelado no início desta semana o primeiro ataque em solo venezuelano, tendo como alvo uma doca usada para carregar barcos de droga.
Ao mesmo tempo que conduziam ataques simultâneos a alegados barcos de traficantes nas Caraíbas e no leste do Pacífico, os EUA bloquearam petroleiros aprovados que entravam e saíam da Venezuela, no que grupos de defesa dos direitos humanos consideram execuções extrajudiciais.
Mais de 100 pessoas morreram na greve até agora.
Desde o exílio, Machado tem apoiado abertamente a campanha de pressão dos EUA. Ela tem sido cada vez mais cautelosa em relação aos ataques em território venezuelano, mas afirmou que a Venezuela foi “invadida” por “grupos terroristas” e “cartéis de drogas”.
Especialistas na Venezuela alertam que muitos dos grupos de oposição do país se oporão à ação militar dos EUA.






