Produzido há muitos anos biocombustíveis especialmente com culturas agrícolas que permitem a produção de bioetanol e biodiesel em automóveis e tratores. No entanto, recentemente, os biocombustíveis para aeronaves e navios registaram progressos rápidos, e este pode ser o caso produzido a partir de óleos usados, gorduras animais e outros resíduos orgânicos. E a tendência é que o uso desses produtos continue crescendo no mundo, o que cria uma nova oportunidade para a Argentina.
Ele abordou o assunto Agustín Torroba, Especialista do IICA em Biocombustíveis e Energias Renováveis, que discursou na última conferência Maizar.
“Se existe no mundo mercado consumidor infinito para os biocombustíveis, o que representa uma oportunidade para a Argentina, caso se adapte às tendências vigentes”, desafiou o palestrante. Os dois principais são:
Novos produtos
Um biocombustível fortemente emergente é o HVO (Óleo Vegetal Hidrogenado), que é produzido a partir de óleos usados, como óleos de cozinha, e gorduras animais. É um biocombustível de segunda geração e já representa 30% do mercado de biodiesel. É quase idêntico ao diesel tradicional e o transporte pode ser descarbonizado.
Por outro lado, o SAF (Combustível de Aviação Sustentável) não é muito popular na Argentina, que é um biocombustível para aviões que pode ser fabricado de forma convencional ou a partir de resíduos orgânicos e óleos usados. É um produto que se desenvolve cada vez mais e configurará um mercado entre 10 e 20 milhões de metros cúbicos em 2030 e 43 milhões de metros cúbicos em 2050 tendo em conta dados conservadores.
São valores notáveis se entendermos que todos os biocombustíveis produzem 180 milhões de metros cúbicos no mundo.
“No nosso país ainda estamos muito atrasados na produção de SAF; não há destilaria. Esta situação deve mudar e para isso seria aconselhável assegurar as cadeias de valor do processamento de milho ou óleo e tomar ações de diplomacia ambiental, indo para as áreas onde os padrões de sustentabilidade são discutidos nas organizações da aviação civil, onde o setor privado deve participar”. sugeriu Torroba.
Outro uso crescente é o do biocombustível marítimo, que é misturado ao óleo combustível e tem comportamento efervescente semelhante ao combustível de aviação nos últimos anos.
Existem também navios-tanque duplos que funcionam com metanol ou etanol puro, dependendo do porto onde são abastecidos. Atualmente existem 293 embarcações de casco duplo que representam apenas 0,3% da frota, mas há muita procura nos estaleiros por embarcações com essas características.
Para desenvolver ambos os combustíveis na Argentina, seria necessário obter a certificação de valor específica do país e aproveitar a cadeia de valor já desenvolvida.
Outra aplicação dos biocombustíveis está relacionada com máquinas agrícolas. “O Brasil quer recorrer a misturas puras em tratores e máquinas autopropelidas para descarbonizar o cultivo e reduzir a pegada de carbono de seus produtos”. disse o especialista
Transição energética
Ao final do discurso de Torroba sobre biocombustíveis, foi formalizada a apresentação do Movimento de Transição Energética e Mobilidade Sustentável do país, que promove uma agenda de mudança da matriz energética adaptada aos recursos e características da Argentina, semelhante a uma iniciativa já desenvolvida no Brasil.
Esta medida promoverá a produção de biocombustíveis derivados de culturas e resíduos agrícolas, mas também considerará as opções de hidrogénio verde, GNV, eletromobilidade e muito mais. O objectivo é chegar a um consenso entre terminais automóveis, fábricas de máquinas, produtores de biocombustíveis e outras organizações, a fim de chegar ao Congresso com uma agenda legislativa acordada a longo prazo e evitar a promoção de debates políticos independentes.
Entre os principais signatários deste novo movimento estão os terminais automotivos, algumas fábricas de máquinas agrícolas, Ciara, Estação Experimental Obispo Colombres, Acsoja, Porta Hermanos e a Câmara de Álcoois da Argentina.
Resumindo: uma revolução está em curso no mundo hoje com a criação dos biocombustíveis, que vai além da produção de biodiesel a partir da cana-de-açúcar e do milho até o etanol e o óleo de soja. Novas fontes de energia são criadas para processamento e novos usos do produto nos transportes e na agricultura globais. É uma oportunidade para a Argentina, se todos os atores se unirem na busca por metas nacionais acordadas, como já fizeram outros países mais avançados no assunto, tomando o Brasil como símbolo, explicou Maizarren.




