LIMA.- O Peru vive uma das definições eleitorais mais rígidas de sua história recente e o resultado permanece envolto em incertezas. Enquanto o país esperava para conhecer o seu próximo presidente, foi um teste parado em 94,8% dos minutos gravadoscom uma diferença mínima entre os dois candidatos e sem definição clara do vencedor.
Segundo os dados oficiais divulgados esta segunda-feira, o candidato de esquerda Roberto Sanches coletar 50,094% dos votosenquanto o líder conservador Keiko Fujimori chega 49.906%. É apenas a distância entre os dois 30.000 votos.
A situação mantém milhões de peruanos em suspense, já que a percentagem de votos contados permanece quase inalterada durante várias horas, à medida que as eleições entram na sua parte mais crucial. Com margem tão estreita, qualquer variação na ata pendente poderá alterar o resultado final.
Nas eleições estão duas pessoas que representam projetos políticos muito diferentes. Fujimori, 51 anos, busca um quarto mandato como presidente e olha para o legado de seu pai, o ex-presidente. Alberto FujimoriEle governou o Peru entre 1990 e 2000.
Sánchez, 57, é deputado e ex-ministro do ex-presidente Pedro CastilhoPreso após tentativa fracassada de suicídio em 2022. Durante a campanha, ele prometeu justificar Castillo e perdoá-lo se ele chegasse ao poder.
A extrema paridade também se refletiu nas declarações dos dois candidatos. Sánchez pediu calma e garantiu que tem confiança no resultado final. “Estamos muito confiantes e optimistas, com a tranquilidade de respeitar os resultados a 100%”, disse à imprensa.
Fujimori transmitiu mensagem semelhante e apelou para aguardar o resultado final. “Temos que esperar até o fim. O que é apropriado neste momento é paciência e calma. Respeitaremos qualquer que seja o resultado”, afirmou.
Para os especialistas, o palco permanece totalmente aberto. Especialista eleitoral José Tello Ele afirmou que a situação era de “empate técnico”, e disse que o resultado ainda pode mudar. Segundo ele, ainda não há lugar para nomear um vencedor.
Independentemente de quem vença, o próximo presidente herdará um país profundamente dividido. Cientista político Paulo Vilca Alertou que o vencedor enfrentará um desafio complexo: governar com uma sociedade quase dividida em duas e sem maioria clara.
A campanha também destacou as principais preocupações dos eleitores. O insegurançarelatos sobre o avanço de quadrilhas criminosas, extorsão e instabilidade política ocuparam o centro do debate eleitoral.
Muitos peruanos esperam que o próximo governo consiga pôr fim à turbulência institucional que marcou os últimos anos. Desde 2016, o país teve oito presidentesa sucessão de crises que minaram a confiança na liderança política.
Enquanto a contagem permanece no mesmo percentual e a diferença permanece nas margens mínimas, o Peru continua sem saber quem assumirá o Palácio do Governo a partir de 28 de julho.
Agências Reuters e AFP






