A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que o mundo está agora lentamente a enfrentar o surto de Ébola na República Democrática do Congo (RDC), que já se espalhou amplamente antes de intensificar totalmente os esforços de resposta, relata a Reuters. Até agora, registaram-se 344 casos confirmados de Ébola e 60 mortes confirmadas na RDC, indicando que o surto ainda é grave.
O chefe da OMS, Tedros, alertou sobre o surto
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que o surto teve um “grande avanço” e que, embora estivessem a ser feitos progressos, as equipas de saúde ainda estavam atrás do vírus. Ele também disse que, sob a liderança do governo da RDC, as equipas globais de saúde estão agora a tentar conter e controlar a propagação de forma mais eficaz. O surto está ligado à estirpe Bundibugyo do vírus Ébola, que também atravessou as fronteiras para o Uganda, conforme relatado pela Reuters.
No Uganda, foram confirmados 15 casos e houve 1 morte, indicando que o surto não se limita a um país. A OMS afirmou que os testes melhoraram e, devido a melhores testes, muitos casos anteriores de Ébola foram agora descartados. As autoridades explicaram que os testes comuns do Ebola não detectam com precisão a cepa Bundibugyo, causando atrasos e um acúmulo de amostras.
Testes de laboratório e backlog eliminados
O diretor de operações de emergência da OMS, Abdul Rahman Mahmoud, disse que as equipes de laboratório completaram 1.445 testes, ajudando a eliminar quase todo o acúmulo de antigos casos suspeitos, conforme relatado pela Reuters. Ele também disse que ainda há 116 casos suspeitos aguardando investigação e que as equipes também estão analisando 220 mortes suspeitas para confirmar se o Ebola as causou.
Do lado positivo, 6 pessoas recuperaram na RDC e 2 no Uganda, indicando que a recuperação é possível com tratamento e cuidados precoces. A OMS alertou que os esforços de resposta ainda enfrentam desafios, especialmente na intensificação dos testes e no rastreio de contactos, enquanto algumas restrições de viagem também estão a afectar as cadeias de abastecimento e a abrandar a resposta.
Tedros disse que apenas 45 por cento dos contactos estão a ser rastreados, mas para controlar adequadamente o surto, esse número deve ultrapassar os 90 por cento, conforme referido num relatório da Reuters. Ele acrescentou que o surto pode ter começado já em Janeiro, mas as investigações ainda estão em curso e o foco principal agora é evitar uma maior propagação.
Planos de financiamento e resposta
O chefe de emergência da OMS, Chikwe Ihekwezu, disse que a resposta custaria pelo menos 115 milhões de dólares nos próximos três meses e que apenas 35 por cento do financiamento está actualmente disponível. Ele também disse que seria necessário mais financiamento para que um plano de resposta completo funcione adequadamente e contenha o surto. Um extenso plano de angariação de fundos e resposta será lançado na sexta-feira com parceiros, incluindo os Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças e os governos da RDC e do Uganda.




