Os preços do petróleo estiveram sob pressão no comércio asiático na quinta-feira, depois que os Estados Unidos e o Irã assinaram formalmente um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz. A velocidade com que os mercados petrolíferos inverteram o rumo nas últimas semanas é notável, com a AIE a alertar agora para um excesso de petróleo, apesar de existir hoje muita tensão no mercado.
No momento em que este artigo foi escrito, o Brent estava sendo negociado a US$ 77,64 o barril, uma queda de 2,40% no dia, enquanto o West Texas Intermediate caía 2,88%, a US$ 74,58 o barril.
O acordo, assinado pelos presidentes dos EUA e do Irão, prolonga o cessar-fogo existente por 60 dias, enquanto os negociadores tentam chegar a um acordo permanente. O acordo inclui a reabertura de Ormuz, o levantamento das sanções dos EUA ao Irão, o congelamento dos bens iranianos e o compromisso de Teerão de não utilizar uma bomba nuclear.
Trump deixou claro na cimeira do G7 que os EUA estão prontos para retomar a acção militar se necessário, dizendo: “Vamos bombardeá-los se quebrarem o acordo”.
Durante grande parte do conflito, os analistas alertaram para o aumento dos preços do petróleo para 200 dólares por barril, à medida que crise após crise se acumulava. Em vez disso, os preços caíram mais de 35% no último mês e continuam sob pressão.
Os analistas estão divididos sobre estes movimentos de preços, com alguns a argumentar que os mercados são simplesmente mais resistentes às perturbações do que muitos supunham, paralelamente ao pico e à queda dos preços após a invasão da Ucrânia pela Rússia. Outros questionam se os mercados poderão ter avaliado mal a questão, especialmente dada a aparente certeza de que o actual acordo resultará na abertura permanente do estreito.
Kpler estima que mais de 90 milhões de barris de petróleo bruto não iraniano e mais 70 milhões de barris de petróleo iraniano estão actualmente à espera de sair da região do Golfo. Esta avaliação parece ser apoiada pela passagem dos futuros do Dubai e de Murban para o contango – um estado onde os contratos do mês a prazo são inferiores ao preço de entrega.
Os mercados estarão atentos na próxima semana para ver quanto petróleo começará a fluir, especialmente o petróleo iraniano, que não estará mais sujeito a sanções graças ao último acordo de cessar-fogo.
Talvez a voz mais pessimista nos mercados neste momento seja a da AIE, que afirmou na quarta-feira que os mercados poderão enfrentar um excesso significativo de petróleo bruto em 2027, à medida que o crescimento da produção ultrapassar a procura.
Tal como se tornou norma nos últimos anos, as últimas previsões da AIE contrastam fortemente com as perspectivas mais optimistas da OPEP, com o grupo a esperar um forte crescimento do consumo no próximo ano.



