O México e os Estados Unidos estão iniciando negociações para revisar o Acordo de Livre Comércio da América do Norte, disseram autoridades na quarta-feira, com as negociações sob pressão do presidente dos EUA, Donald Trump, e preocupações de segurança transfronteiriça.
O acordo EUA-México-Canadá é importante para a economia do México porque os Estados Unidos são responsáveis por mais de 80% das suas exportações.
O acordo é atualizado a cada seis anos. A primeira rodada de negociações bilaterais, realizada na Cidade do México, durará até sexta-feira.
A presidente mexicana, Claudia Scheinbaum, disse na quarta-feira que estava otimista de que os vizinhos poderiam chegar a um acordo.
“Será uma conversa muito produtiva”, disse ele, observando que o secretário da Economia, Marcelo Aberde, se reuniu com o representante comercial dos EUA, Jamieson Grier, na noite anterior.
Eberhard disse num comunicado que o objetivo das conversações era “identificar resultados concretos que beneficiem a região”.
“O México e os Estados Unidos reiteraram o seu compromisso de continuar a fortalecer a cooperação bilateral em favor de uma América do Norte mais integrada, dinâmica e forte”, acrescentou.
O gabinete de Greer disse num comunicado à imprensa que as conversações irão “discutir a segurança económica e as regras de origem para importantes produtos industriais”.
“As negociações se concentrarão em garantir que o USMCA beneficie os fabricantes, agricultores, pecuaristas, trabalhadores e prestadores de serviços dos EUA, bem como empresas de todos os tamanhos, incluindo nossas pequenas e médias empresas”, acrescentou.
As futuras rodadas de negociações acontecerão em junho, em Washington, e depois, em julho, na Cidade do México.
O acordo entre os três países está a ser revisto pela primeira vez desde a sua implementação em 2020.
– Disputas e Ameaças –
As ameaças de Trump de retirar os EUA do acordo, argumentando que isso não beneficia a economia dos EUA, atraíram o escrutínio da primeira ronda de negociações.
A mídia dos EUA informou que Trump disse a conselheiros em fevereiro que queria sair do USMCA depois de acusar o México de abrir as portas para produtos chineses na região.
À medida que as difíceis negociações comerciais em Washington aumentam a pressão sobre Scheinbaum para reprimir o crime organizado.
No final de abril, os Estados Unidos solicitaram a prisão e extradição de 10 políticos do partido governista Morena, de Sheinbaum.
No centro da acusação estava o ex-governador de Sinaloa Ruben Rocha Moya, que tirou licença dias depois de os Estados Unidos o acusarem de proteger o poderoso cartel de drogas de Sinaloa.
As relações também ficaram tensas no mês passado, quando dois responsáveis norte-americanos, alegadamente agentes da CIA, morreram num acidente de carro enquanto invadiam um laboratório de drogas no estado de Chihuahua, no norte do país, com soldados e procuradores.
Sheinbaum ordenou uma investigação, dizendo que a operação violou as leis de segurança nacional que proíbem agentes estrangeiros não autorizados de operar dentro do México.
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