A OTAN sobreviverá à retirada dos EUA. Mas que tipo de aliança se tornará?

SYDNEY Enquanto a OTAN faz a contagem decrescente para a sua reunião anual na Turquia, em Julho, a aliança enfrenta talvez o maior desafio da sua história – qual seria o futuro provável sem as garantias de segurança dos Estados Unidos ou da América.

A OTAN sobreviverá à retirada dos EUA. Mas que tipo de aliança se tornará?

Nas últimas semanas, a administração Trump tomou uma série de medidas amplamente interpretadas nas capitais europeias como retaliação pela relutância dos aliados em apoiar mais fortemente a posição dos EUA na guerra do Irão.

Anunciou a retirada de 5.000 soldados da Alemanha, suspendeu o envio de 4.000 soldados para a Polónia e está mesmo a considerar medidas para suspender a Espanha da aliança.

A Europa já estava preocupada com as intenções estratégicas mais amplas de Washington.

Cada vez mais, os aliados da OTAN estão a aperceber-se de que já não podem confiar nos Estados Unidos para a sua segurança e que devem assumir eles próprios grande parte da responsabilidade.

OTAN 3.0

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A compreensão limitada do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o valor dos aliados é conhecida há muito tempo. Agora, o seu sonho de uma nova NATO está a tornar-se realidade.

Na Reunião dos Ministros da Defesa da OTAN, em fevereiro, o Subsecretário de Defesa para Políticas dos EUA, Elbridge Colby, apresentou a ideia de “OTAN 3.0”. Isto exigiria que os europeus desempenhassem um papel muito maior na intervenção convencional. Os Estados Unidos, entretanto, darão prioridade à concorrência estratégica com a China e apoiarão a segurança europeia de forma mais selectiva e a uma distância maior.

Ao mesmo tempo, a Casa Branca está alegadamente a pressionar para reverter décadas de expansão da missão da NATO e manter a Ucrânia e os quatro parceiros Indo-Pacíficos da NATO fora da cimeira anual de Julho.

Reflete uma mudança mais ampla no pensamento estratégico americano. A OTAN já não é vista como uma comunidade política e um pilar da ordem internacional liberal. No máximo, é visto como um acordo militar restrito, cujo valor depende de os europeus poderem dar-se ao luxo de se sobrecarregarem e permanecerem compatíveis com a agenda de Trump.

Neste novo exemplo, os Estados Unidos não estão apenas a pedir aos aliados europeus que gastem mais. Está a dizer à Europa para fazer mais com menos equipamento americano, um alinhamento político mais fraco e menos garantias.

Além disso, há um problema maior: a erosão da confiança dentro da aliança e os pressupostos que sustentaram a postura de defesa da OTAN durante décadas.

O resultado é que uma “OTAN europeizada” está a emergir mais da necessidade do que da criação. Como seria realmente tal aliança não está claro.

Foco na defesa coletiva

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Uma coisa é certa: um único país não substituirá os Estados Unidos como líder da coligação. Nenhuma potência europeia tem capacidade, recursos ou legitimidade política para desempenhar sozinha este papel. Em vez disso, a liderança virá provavelmente dos Estados mais capazes, trabalhando em conjunto.

Esta tendência já é visível no “momento Mandal da Europa”. O grupo E3 e a nova aliança E5, por exemplo, começaram a intensificar a cooperação entre as principais potências militares da Europa.

Estes acordos não são alternativas à OTAN. Pelo contrário, podem tornar-se mecanismos através dos quais é organizado um forte enfoque europeu no seio da OTAN.

Mas é aqui que começa a incerteza. Uma OTAN mais europeizada está longe de ser uma garantia de se tornar uma OTAN mais integrada. A aliança há muito que luta contra a cacofonia estratégica dos seus 32 membros, impulsionada por diferentes percepções de ameaça, prioridades regionais e culturas estratégicas.

À medida que a liderança dos EUA diminui, estas diferenças podem tornar-se ainda mais acentuadas e mais difíceis de gerir.

Uma aliança mais europeia provavelmente limitará, pelo menos inicialmente, o seu foco na defesa colectiva e na defesa face ao militarismo da Rússia e à guerra em curso contra a Ucrânia.

A agenda mais ampla que se expandiu após a Guerra Fria para incluir a gestão de crises e a segurança cooperativa pode tornar-se cada vez mais secundária. Estes incluem esforços para enfrentar os desafios de segurança global, operações antiterroristas, energia e segurança marítima.

No entanto, muitos aliados da OTAN, especialmente os do flanco sul da OTAN, continuam a argumentar que a gestão de crises e a segurança cooperativa devem continuar a ser funções centrais da aliança.

Para os países que enfrentam instabilidade no Norte de África e no Médio Oriente, pressões migratórias, terrorismo e insegurança marítima, a OTAN não pode confiar apenas na Rússia.

As parcerias cooperativas de segurança da OTAN no Indo-Pacífico também estão a tornar-se importantes, embora já não sejam abertamente apoiadas pela administração dos EUA.

A cooperação com o Japão, a Coreia do Sul, a Austrália e a Nova Zelândia emergiu como talvez o quadro de segurança cooperativa mais promissor da OTAN, especialmente porque reforça a missão central de dissuasão da aliança.

Ao contrário de muitas iniciativas de parceria anteriores, está diretamente ligada à cooperação industrial-defesa, à flexibilidade tecnológica, à segurança da cadeia de abastecimento de materiais críticos para a defesa e à sinalização estratégica.

nova realidade

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A “nova NATO” não é de forma alguma uma construção complicada. É uma aliança dividida entre ideologias concorrentes, compromissos políticos profundamente incertos de antigos apoiantes e questões estratégicas não resolvidas.

A Europa está a avançar no sentido de uma maior responsabilidade pela sua própria segurança, mas sem um consenso claro sobre o que significa, em última análise, maior autonomia estratégica.

A questão central que a OTAN enfrenta hoje não é se a aliança sobreviverá. É quase certo que isso acontecerá de uma forma ou de outra, pois nunca se deve subestimar o poder vinculativo da burocracia.

A verdadeira questão é que tipo de aliança é criada e quão confiável ela permanece. Será um pacto militar estreito, focado na defesa do continente? Ou uma comunidade de segurança política mais ampla, capaz de gerir todo o espectro de crises que afectam a Europa? PA

PA

Este artigo foi criado a partir de um feed automatizado de uma agência de notícias, sem alterações no texto.

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