A Arábia Saudita suspendeu a proibição de cinco anos às importações libanesas, sinalizando uma tensão nas relações Golfo-Líbano

A Arábia Saudita anunciou na quarta-feira o levantamento de um embargo que foi imposto às importações libanesas há cinco anos, um passo importante nos esforços para restaurar as relações entre o Líbano e os países do Golfo.

Nesta foto divulgada pela Assessoria de Imprensa da Presidência Libanesa, o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman sai com o presidente libanês Joseph Aoun ao chegar ao Palácio Real de Riad. (Assessoria de Imprensa Presidencial Libanesa)

O reino proibiu frutas e vegetais libaneses em 2021, alegando que estavam sendo usados ​​para o tráfico de drogas. Num caso notável, a Arábia Saudita anunciou que tinha apreendido mais de 5 milhões de comprimidos da droga anfetamina Captagon, escondidos em carregamentos de romãs provenientes do Líbano.

Meses mais tarde, o rico país do Golfo estendeu a proibição de todos os produtos libaneses, depois do então ministro da Informação libanês, George Kurdhai, ter criticado publicamente a guerra da Arábia Saudita contra os rebeldes apoiados pelo Irão no Iémen.

Na raiz da crise diplomática estava a rivalidade regional da Arábia Saudita com o Irão e o ressentimento relativamente à influência do grupo militante Hezbollah, apoiado pelo Irão, no Líbano. A proibição ocorreu numa altura em que a economia do Líbano já sofria de uma grande crise financeira e da desvalorização da sua moeda.

O Ministério das Relações Exteriores da Arábia Saudita disse em comunicado na quarta-feira que o levantamento das sanções por ordem do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman foi resultado de “medidas positivas tomadas pelo Estado libanês”.

Não ficou claro quais foram essas medidas, mas durante o ano passado, o governo libanês anunciou planos para desarmar todos os grupos não estatais, incluindo o Hezbollah. Antes do início da recente guerra entre Israel e o Hezbollah, o exército libanês tinha feito progressos na implementação do plano no sul do Líbano.

Numa declaração, o presidente libanês Joseph Aoun agradeceu a Bin Salman pela decisão, que ele disse que “desempenharia um papel importante na revitalização da economia nacional e no fornecimento de apoio a uma ampla gama de produtores e exportadores libaneses”.

O actual governo do Líbano, que chegou ao poder no ano passado com promessas de reformas, tem procurado restaurar os laços com os países do Golfo. Antes do início da última guerra, as autoridades libanesas cortejavam os turistas do Golfo para que regressassem ao país na esperança de recuperação económica, e alguns países do Golfo levantaram as restrições de viagem para impedir que os seus cidadãos visitassem o Líbano.

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