Esse homem era Satyanarayan Mundayor, popularmente conhecido como “Tio Musa”.
Como aponta The Better India, sua jornada não é apenas uma história sobre bibliotecas. É uma questão de fé, perseverança e do poder de aprender a abrir portas que antes pareciam impossíveis.
Hoje, o tio Musa é celebrado por ajudar a criar uma cultura de aprendizagem entre as comunidades tribais em Arunachal Pradesh. Seu trabalho acabou lhe rendendo o Padma Shri em 2020, mas sua maior conquista são as milhares de crianças cujas vidas foram mudadas por meio dos livros.
Quem é Satyanarayan Mundayor?
Satyanarayan Mundayor é um educador e ativista social de Kerala que trabalha em Arunachal Pradesh há mais de quatro décadas.
Nascido no distrito de Thrissur, em Kerala, ele completou os estudos e mais tarde mudou-se para Mumbai para trabalhar. Ele trabalhou como fiscal da receita, um cargo governamental permanente do qual muitos não gostariam de abandonar.
Mas em 1979, Mundayor escolheu um caminho completamente diferente. Ele largou o emprego e foi para o distrito de Lohit, em Arunachal Pradesh, para trabalhar para melhorar o acesso à educação e à alfabetização.
Numa época em que muitas aldeias tinham recursos limitados e ligações rodoviárias difíceis, os livros eram frequentemente considerados um luxo. Mundayor acreditava que eles deveriam ser uma necessidade.
Por que ele se mudou para Arunachal Pradesh?
Ao contrário de muitos assistentes sociais que vêm com grandes projetos e financiamentos, Mundayor começou com uma ideia simples. Ele queria que as crianças estudassem.
Ele acreditava que a leitura ajudava os jovens a sonhar grande, a aprender de forma independente e a criar oportunidades para si próprios. Nas comunidades onde os recursos educativos são escassos, os livros podem ser uma janela para mundos totalmente novos.
Sua missão não se limita às salas de aula. Ele queria fazer da leitura um hábito e um modo de vida.
Construindo bibliotecas em aldeias remotas
Durante seus anos como oficial de educação com Vivekananda Kendra Vidyalaya até 1996, Mundayor organizou feiras de livros e incentivou as crianças a desenvolverem o amor pela leitura.
Uma de suas conquistas mais importantes foi o estabelecimento da primeira biblioteca comunitária em Etalin, localizada no remoto Vale Dibang.
O que começou como uma única biblioteca rapidamente se transformou em algo muito maior.
Em poucos anos, a iniciativa se expandiu para uma rede de bibliotecas da região, levando livros para crianças que antes tinham pouco acesso a materiais de leitura.
Movimento da biblioteca juvenil em homenagem a Lohit
Os esforços de Mundayor ganharam impulso através do Movimento Lohit Youth Library, uma iniciativa que visa transformar os esforços de alfabetização na região.
Em 2007, trabalhando com a Associação de Escritores e Ilustradores para Crianças (AWIC) e o Vivekananda Trust, ajudou a estabelecer a primeira Biblioteca de Bambu em Tezu. O projeto se expandiu rapidamente.
Sob sua liderança, bibliotecas foram abertas em Wakro, Chongham, Latha, Anjou e vários outros lugares.
Muitas dessas bibliotecas contêm mais de 10.000 livros, desde quadrinhos e histórias infantis até romances, história e materiais educativos.
Para muitos jovens leitores, estas bibliotecas tornaram-se locais de descoberta, imaginação e aprendizagem.
Leve os livros diretamente para o orfanato
Tio Musa percebeu que nem toda criança pode ir facilmente à biblioteca. Para resolver esse problema, ele iniciou o movimento “Biblioteca Domiciliar”, que tinha como objetivo entregar livros diretamente em casa. A ideia era simples, mas eficaz.
Em vez de esperar que as crianças viessem até os livros, os livros iam até as crianças.
Esta iniciativa ajudou a criar o hábito de ler livros na família e incentivou as crianças a ler livros regularmente, mesmo em áreas remotas.
Por que as crianças o chamam de “Tio Musa”.
O apelido “Tio Musa” tem uma origem interessante. Segundo relatos, tudo começou com o pseudônimo que Mundayor usou ao escrever uma coluna para um jornal local. Com o tempo, o nome pegou.
Hoje, crianças, pais e professores de Arunachal Pradesh o conhecem por esse título afetuoso. Para muitos jovens leitores, ele é mais do que apenas um bibliotecário ou educador, mas um mentor de confiança que ajuda a moldar o seu futuro.
Agradecimento com Padma Shri
Em 2020, o governo da Índia reconheceu a sua notável contribuição para a educação, concedendo-lhe o Padma Shri, a quarta maior honraria civil do país.
O prémio reconheceu décadas de trabalho árduo na promoção da alfabetização e na criação de oportunidades para crianças em comunidades remotas.
Mas quem o conhece diz que esse nunca foi o seu objetivo. Seu foco sempre foi os livros, as crianças e a leitura.
O impacto duradouro da missão de um homem
A história de Satyanarayan Mundayor mostra que mudanças significativas nem sempre começam com grandes planos ou grandes recursos. Às vezes começa com uma simples crença. Segundo ele, existia a crença de que toda criança merece ter um livro.
Mais de quatro décadas após a sua chegada a Arunachal Pradesh, as bibliotecas que ajudou a fundar continuam a inspirar jovens leitores. Muitos ex-usuários de bibliotecas buscaram educação superior, carreiras e oportunidades que antes pareciam fora de alcance.
Sua jornada prova que uma única pessoa, armada de determinação e amor pelo aprendizado, pode deixar uma impressão duradoura em uma geração inteira.
E milhares de leitores nas colinas de Arunachal Pradesh são a prova viva desse legado.
Informações de agências



