Uma guia contém o artigo que você planeja ler. Outro produto que você pode querer comparar antes de comprar. A terceira é uma receita que você provavelmente nunca fará. Existem guias de ontem, da semana passada, talvez até do mês passado.
A maioria das pessoas brinca que ter dezenas de passagens abertas é um traço de personalidade. Mas, segundo psicólogos, muitas pessoas tentam encobri-los.
A pesquisa mostra que abas abertas geralmente significam algo, não informação. Eles podem servir como lembretes de tarefas inacabadas, decisões adiadas e intenções que nossos cérebros não estão prontos para abandonar.
Em outras palavras, seu navegador pode estar mostrando um mapa visual de tudo o que você fará mais tarde.
Por que assuntos inacabados ficam presos em sua mente
Um dos conceitos mais influentes da psicologia que ajuda a explicar esse comportamento é o efeito Zeigarnik.
O efeito leva o nome da psicóloga soviética Bluma Zeigarnik, que descobriu que as pessoas se lembram melhor das tarefas inacabadas do que das concluídas. Sua pesquisa sugeriu que atividades inacabadas criam uma espécie de tensão mental que mantém você ativo até que a tarefa seja concluída.
Os psicólogos acreditam que isso acontece porque o cérebro percebe os objetivos inacabados como um “ciclo aberto”. Ele continua a ocupar espaço mental até que a tarefa seja concluída ou abandonada conscientemente.
Isso pode explicar por que fechar a guia às vezes pode parecer estranho. Um tablet é mais do que apenas uma página da web. É um lembrete do que você vai fazer.
Um site de viagens pode apresentar férias que você ainda precisa planejar. Uma notícia pode simbolizar o conhecimento que você deseja receber. Um carrinho de compras pode representar uma compra que você ainda não decidiu fazer.
Fechar uma guia é psicologicamente semelhante a desistir de uma tarefa.
Por que as guias se transformam em listas digitais de tarefas
Os usuários modernos da Internet usam cada vez mais as guias do navegador como memória externa.
Em vez de marcar páginas ou escrever lembretes, muitas pessoas deixam guias abertas. As guias tornam-se espaços reservados visuais para ações futuras.
Pesquisadores que estudam o uso do navegador descobriram que as pessoas costumam manter as guias abertas porque pretendem voltar a elas mais tarde. Em muitos casos, os usuários se recusam a fechar abas porque têm medo de perder informações ou esquecer algo importante.
o comportamento faz sentido do ponto de vista cognitivo.
A memória humana é limitada. De acordo com uma pesquisa do psicólogo cognitivo George Miller, as pessoas só conseguem reter uma quantidade relativamente pequena de informações em suas mentes por vez. Como resultado, muitas vezes dependemos de ferramentas externas para nos ajudar a gerir as nossas exigências mentais.
Notas adesivas, calendários, listas de compras e lembretes de smartphones atendem a esse propósito. As guias abertas do navegador podem ser outra versão da mesma estratégia.
A diferença é que, diferentemente de uma lista de tarefas organizada, as guias se acumulam lentamente em segundo plano.
Por que a sobrecarga de guias pode ser estressante
Ironicamente, uma estratégia concebida para reduzir a carga mental pode, por vezes, criar mais carga mental.
Em uma pesquisa de 2021 realizada por pesquisadores e colaboradores da Universidade Aalto, muitos usuários da Internet estavam enfrentando o que os pesquisadores chamaram de “sobrecarga de mesa”. Os participantes disseram que mantinham um grande número de abas abertas porque representavam tarefas inacabadas, informações que queriam revisar ou coisas que tinham medo de perder.
Muitos usuários também relataram sentimentos de culpa, estresse, frustração e opressão quando confrontados com um grande número de abas abertas.
As guias são projetadas para reduzir o esforço cognitivo. Em vez disso, tornaram-se lembretes visuais constantes do que não foi feito. Isso cria um paradoxo psicológico.
Quanto mais as pessoas abrem abas para evitar esquecer algo, mais essas abas as lembram de coisas que não terminaram.

