Os não-cidadãos nos Estados Unidos enfrentarão mais escrutínio nas suas atividades bancárias na sequência de uma ordem executiva do presidente Donald Trump na terça-feira, mas a diretiva era menos extensa do que uma proposta anterior do Tesouro, exigindo que os bancos recolhessem informações de cidadania dos clientes. A administração Trump propôs várias políticas que tocaram os bancos, incluindo uma ideia no início deste ano de recolher dados de cidadania. Em Janeiro, Trump também surpreendeu a indústria ao apelar aos fornecedores de cartões de crédito para aumentarem as taxas de juro para responder às preocupações sobre os excessos de custos, e atacou os bancos de Wall Street por discriminarem os conservadores, uma alegação que eles negam.
A última ordem, emitida na terça-feira, no entanto, não chegou a exigir dados de cidadania. Em vez disso, orienta o Secretário do Tesouro a emitir um aviso aos bancos para identificar sinais de alerta associados à evasão fiscal sobre os salários, ocultando a verdadeira titularidade de contas, pagamentos de salários não registados, tráfico de mão-de-obra e a utilização de números de identificação de contribuintes individuais para abrir contas ou obter crédito sem uma presença legal verificada nos Estados Unidos.
A proposta foi vista como um exemplo de como o governo escuta a indústria. Um executivo de um grande banco que pediu para não ser identificado disse que isso mostrava que o governo estava aberto a mudanças. Altos executivos da indústria alertaram que exigir que os bancos recolham dados sobre a cidadania ou o estatuto de imigração dos seus clientes seria dispendioso e perturbador.
“Obviamente, a administração quer mais controlo sobre a imigração, mas os reguladores bancários sempre quiseram que muitas transacções financeiras passassem pelo sistema financeiro tradicional”, disse Ed Mills, analista político de Washington da Raymond James. “Isso teria removido muitas pessoas do sistema financeiro, o que também poderia representar uma ameaça à segurança nacional”, acrescentou. Os bancos consideraram que verificar o estatuto de imigração e a cidadania de todos os clientes existentes seria muito difícil e quase impossível, informou a Reuters no mês passado. Grupos comerciais argumentaram que tal ordem poderia desbancarizar milhões de clientes e reduzir o acesso financeiro dos americanos.
Exemplos de sinais de alerta citados no despacho recente incluem a utilização de plataformas específicas para ocultar contas e pagamentos de salários em nomes de empresas de fachada e levantamentos frequentes de dinheiro. A utilização do Número de Identificação Individual de Contribuinte (ITIN) também deverá ser sinalizada quando não acompanhada de número de Segurança Social ou de visto de trabalho.
A Casa Branca também disse que o Tesouro e os reguladores deveriam propor alterações à Lei do Sigilo Bancário para facilitar a obtenção de informações sobre os clientes, citando documentos divulgados por consulados estrangeiros como vulneráveis.
(Reportagem de Nupur Anand e Tatiana Bowser em Nova York e Chandni Shah em Bengaluru; edição de Megan Davis, Mark Porter e Lincoln Fest.)





