Whisky patagônico foi eleito entre os melhores do mundo

Destilaria familiar MadocLocalizada em Dina Huapi, a poucos quilômetros de Bariloche, acaba de conquistar a medalha de ouro. Concurso Mundial de Bebidas Espirituosas de São Francisco 2026. Esta competição é considerada uma das mais prestigiadas do mundo na área de destilados, e o produto da Patagônia recebeu uma classificação de 93 pontos em 100.

O prêmio foi concedido ao rótulo “Single Cask Peated Ex-Cabernet Franc”. Conforme especificado Pablo TognettiO fundador da destilaria é o whisky defumado (turfoso) e o processo de produção é rigoroso: “A cevada passa por cinco dias de germinação controlada, que é interrompida com ar quente misturado com fumaça de turfa, permitindo que o aroma perdure até a garrafa”.

Alambiques da destilaria de Dina Huapin, a poucos quilômetros de BarilocheJade Sivo
O prêmio foi concedido ao rótulo Single Cask Peated Ex-Cabernet Franc: é um whisky defumado com rigoroso processo de produção.Jade Sivo

Este é o sexto prémio internacional que esta destilaria, que completa dez anos em outubro, conquista. Agora em São Francisco, o premiado “Single Cask” – que provém de um único barril de carvalho europeu que anteriormente continha vinho Cabernet Franc – é guardado como um tesouro num único barril, a partir do qual serão produzidas 250 garrafas de 750 ml: a edição limitada será uma pérola do aniversário de Madoc.

“Lançamos uma expressão levemente esfumaçada. É um whisky de entrada para quem não está acostumado com fumaça forte e temos feito muito sucesso”, diz Pablo, que compartilha sua paixão com os filhos Célia e Conrado.

Celia, filha de Pablo Tognetti, é bióloga e acompanha o pai na destilaria.Jade Sivo

Em maio de 2018, whisky single malte Madoc ganhou medalha de prata em sua categoria no World Spirits Competition, em São Francisco. Em 2019 ganharam ouro duplo em São Francisco com um whisky clássico e repetiram em 2024 com um fumado. Nesse mesmo ano venceram também em Londres, numa das competições mais importantes, onde obtiveram medalhas de prata e bronze.

Por trás desses elixires está a história da curiosidade e do espírito empreendedor de Pablo Tognetti, um físico experimental que foi o diretor geral da Arsat. Começou a fabricar cerveja na década de 80, depois de morar na Inglaterra, e em meados da década de 90 voltou seu interesse para o whisky.

O nome da destilaria é inspirado numa lenda galesa sobre um príncipe que chegou à América em 1170.Jade Sivo

Em 2011 fundou a primeira destilaria de whisky single malt do país La AlazanaLas Golondrinas Depois de dissolver essa empresa, ele a criou Madoc Em 2016 com sua esposa Glória, em Dina Huapi. O nome da destilaria é inspirado numa lenda galesa sobre um príncipe que chegou à América em 1170.

com um produção permanente de cerca de 30 barris por ano, Madoc Conseguiu colocar o whisky argentino no mapa mundial. O objetivo da família, além das premiações, continua sendo a busca por sabores únicos.

O premiado Single Cask é guardado em um único barril, do qual serão produzidas aproximadamente 250 garrafas de 750ml.Jade Sivo

Celia, que é bióloga e tem alma de alquimistaconta o processo do destilado que possui três elementos básicos: água, fermento e malte de cevada. Primeiro, o amido é convertido em açúcares mais simples, que são utilizados pelas leveduras para produzir álcool. Esse processo ocorre a 63,5°C, que é a temperatura ideal para que isso ocorra. A cerveja filtrada e resfriada segue para um fermentador de 1.700 litros, onde é inoculada com leveduras especiais para whisky, que produzem “congêneres”, ou seja, aromas e sabores distintos.

“Até então, o processo é semelhante ao que você faz quando se produz cerveja, só que não há fervura entre a virada e a fermentação e não há adição de lúpulo. Fora isso, o processo é o mesmo”, acrescenta Pablo.

Quando pronto, o whisky fica límpido. A passagem pelo barril é o que lhe dá a cor que conhecemos.Jade Sivo

Depois de seis dias, o líquido é destilado duas vezes: finalmente obtém-se o “coração” que vai para os barris. Primeiro ainda entendemos vinhos baixosou vinhos baixos, que concentram álcool: um terço do volume e triplicam o álcool (24%).

Do segundo alambique saem três partes: a cabeça, o coração e a cauda. Enquanto o coração vai para a adega, a cabeça e o rabo – que contêm muito álcool – são misturados com os vinhos básicos da destilação anterior. Isso é reciclado e passado pelo segundo ainda para se tornar novamente o “coração”.

O whisky Madoc single malt conquistou a medalha de prata na última edição do San Francisco World Spirits Competition, um dos mais prestigiados do mundo das bebidas espirituosas.Jade Sivo

Quando pronto, o whisky fica límpido. A passagem pelo barril é o que lhe dá a cor que conhecemos. Segundo a legislação argentina, deve passar pelo menos dois anos em barris de madeira (de preferência carvalho) antes do consumo. Várias alterações químicas também ocorrem em contato com a madeira que afetam o sabor. “O que acontece dentro do barril é mágico, tem muita coisa que ainda não se sabe”, diz Pablo.

Assim como as engarrafadoras e outras destilarias, a família Tognetti faz um blend de vários barris, reduzindo o álcool de 63% para 43% ou 46%. O envelhecimento de cada whisky é determinado pelos líquidos “mais novos” de cada blend: no caso deles, o mais novo tem quase 6 anos e o mais velho 8 anos.

Pablo compartilha sua paixão pelo whisky com os filhos Celia e Conrado.Jade Sivo

“A questão do sabor é uma das mais complexas. Pegamos uma amostra de cada barril e catalogamos. São feitos testes e pré-selecionamos um determinado número de blends, divididos em seis grupos”, diz Pablo.

Célia acrescenta que são mais de 80 compostos aromáticos e, em termos de sabor, cerca de 20. Nesse sentido, dá para fazer uma boa avaliação de cada whisky pelo nariz e deixar outras coisas a gosto. “O aspecto sensorial é fundamental, porque queremos que tenha aroma, carácter, sabor e não fumo ou álcool. É fascinante”, conclui Pablo.




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