Venezuela fecha temporariamente fronteira com o Brasil após ataque dos EUA | Notícias de tensão EUA-Venezuela

São Paulo, Brasil – A Venezuela fechou temporariamente a sua fronteira com o Brasil após o ataque matinal dos Estados Unidos a Caracas, no qual as forças norte-americanas “capturaram” o presidente Nicolás Maduro e a sua esposa, Celia Flores.

Uma passagem de fronteira entre a cidade brasileira de Pacaraima e Santa Elena de Ueren, na Venezuela, foi fechada no lado venezuelano por cerca de cinco horas, impedindo a entrada de civis no Brasil, disse um oficial militar brasileiro à Al Jazeera.

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“Não houve protocolo formal da Venezuela em relação aos critérios de entrada e saída. Na verdade, os brasileiros podem sair, mas os venezuelanos enfrentam restrições. Mas isso pode mudar a qualquer momento”, disse o funcionário, que falou sob condição de anonimato porque não estava autorizado a falar sobre o assunto.

O chefe da Polícia Federal do Brasil anunciou um fechamento temporário e a fronteira foi reaberta após um breve fechamento, disse o governador do estado de Roraima à Reuters.

O governo brasileiro disse que estava monitorando a fronteira e enviou militares à área para aumentar a segurança.

Um comunicado do Itamaraty dizia que o ministro da Defesa havia indicado que não havia atividades anormais na fronteira entre o Brasil e a Venezuela, que seriam monitoradas e que estava em contato com o governador de Roraima.

Os venezuelanos constituem a maior população estrangeira do Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 77.563 migrantes do país estão assentados somente no estado de Roraima. No total, quase 8 milhões de venezuelanos fugiram das suas casas na última década, com mais de 6 milhões reassentados noutros países latino-americanos.

“Acho que existe a possibilidade de um êxodo de venezuelanos para o Brasil e, de fato, já estamos vendo sinais concretos disso”, disse Jessica Leon Cedeno, jornalista venezuelana que mora em São Paulo, à Al Jazeera.

“Milhões de pessoas deixaram o país em busca de melhores condições de vida e oportunidades”.

Lula diz que ataques dos EUA podem ‘desestabilizar’ a região

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, disse no sábado que as ações do presidente dos EUA, Donald Trump, dentro da Venezuela eram “inaceitáveis”.

“O bombardeio do território venezuelano e a tomada de seu presidente ultrapassaram uma linha inaceitável”, escreveu Lula em X. “Esses atos representam uma grave afronta à soberania da Venezuela e estabelecem outro precedente muito perigoso para toda a comunidade internacional”.

O líder do Brasil há meses pede moderação em meio ao aumento do aumento militar dos EUA na costa da Venezuela.

Os analistas temem que a remoção de Maduro possa mergulhar a Venezuela no caos, levando a outra onda de migração em massa, como testemunhado em 2019, após uma tentativa fracassada de expulsar Maduro.

João Carlos Jarochinski Silva, professor de relações internacionais da Universidade Federal de Roraima, disse que a potencial onda de migração depende de muitos factores, incluindo se Washington continua as suas operações militares dentro do país e se Maduro permanece no poder.

“Qual é o potencial de resiliência do chavismo na Venezuela?” disse Zaroczynski Silva, referindo-se ao movimento político que leva o nome do ex-presidente Hugo Chávez. “Poderia ter consequências realmente alarmantes, mas dada a situação atual, não há razão para temer”.

Até agora, Trump concentrou-se em elogiar as ações dos seus militares na Venezuela e não abordou preocupações humanitárias importantes, disse ele. No início deste ano, a administração Trump cortou o financiamento à USAID, a principal agência do governo dos EUA para ajuda externa, afetando fortemente os vizinhos da Venezuela, Brasil e Colômbia.

“Os Estados Unidos têm cortado recentemente os recursos humanitários”, disse ele, acrescentando que haveria consequências para as ações militares dos EUA dentro do país. “Por exemplo, refugiados, outras pessoas que possam ser afetadas por isto. Eles não estão vinculados a esta agenda em nenhum momento.”

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