MONTEVIDÉU (AP).- Milhares de pessoas mobilizaram-se esta quarta-feira Montevidéu, Uruguaino âmbito de Marcha do Silênciochamado para pedir respostas aos desaparecidos durante a ditadura militar. Segundo as denúncias recebidas e analisadas pela Organização Nacional de Direitos Humanos (INDDHH), 205 pessoas foram presas e desapareceram nesse período.
Na semana passada, incluindo a equipe de pesquisa do INDDHH Oito casos para a lista de 197 desaparecidos isso era conhecido até agora: três buscas são consideradas ativas e outras cinco já foram resolvidas, mas não constavam dessa lista.
A maioria dos casos foi registrada no âmbito Operação CondorUm plano repressivo de coordenação entre ditaduras sul-americanas, sob a doutrina anticomunista e com o apoio dos EUA, que perseguiu e eliminou adversários políticos. “É uma questão moral que deve ser levada adiante enquanto podemos.“, disse Jorge Borges, um reformado que participou em 30 marchas silenciosas, e garantiu que continuará a participar “até que apareça”.
“Exigimos respostas contra a impunidade de ontem e de hoje”, disse, em total silêncio, diante de milhares de outras pessoas que viram a bandeira que liderou a marcha que percorreu a habitual avenida 18 de Julio passando a coluna pelas calçadas. Placas com os rostos e nomes dos desaparecidos apareceram nas duas multidões.
Este ano, a mobilização também comemorou os 50 anos do assassinato de parlamentares Zelmar Michelini sim Héctor Gutiérrez RuizAs forças argentinas mataram Rosario Barredo e William Whitelaw junto com os militantes. Foram sequestrados em 18 de maio de 1976 em Buenos Aires, num dos episódios considerados representativos do terrorismo coordenado do Estado do Cone Sul; Dois dias antes, William Whitelaw Blanco e Rosario del Carmen Barredo eram militantes de esquerda.
Antes de iniciar a marcha, Yamandú Orsi Ele postou uma mensagem em homenagem
Nos últimos anos, o Ministério das Relações Exteriores e as agências da CIA e do FBI apresentaram documentos desclassificados, que revelaram que os assassinatos foram uma operação coordenada do Plano Condor, levada a cabo pelas forças de segurança argentinas com o apoio e incentivo da ditadura uruguaia.
“A maior homenagem é a luta contra a liberdade e a impunidade. O patrimônio é a defesa dos direitos humanos. Não pode haver seres humanos que punem, abusam, torturam, exterminam, prendem, matam outros seres humanos por causa de política, de ideias”, disse o senador Rafael Michelini, um dos dez filhos do jornalista Zelmar Michelini.
O parlamentar lembrou do pai como uma “pessoa alegre”, que gostava dos pequenos detalhes e enfrentava as adversidades com humor. Ele também continuou: “O que espera pela democracia é a informação, a verdade. A falta que não encontramos“.
Uma homenagem será realizada nesta quinta-feira em Buenos Aires, onde estarão presentes o presidente do Uruguai, Orsi, e a vice-presidente Carolina Cosse.
Michelini era filiado ao partido Colorado, onde foi deputado, senador e ministro da Indústria e Comércio. Em 1970 ele deixou esta força para co-fundar a Frente Ampla, o atual partido governante do Uruguai.
Gutiérrez Ruiz foi um político uruguaio, do Partido Nacional, que se exilou na Argentina e chegou a denunciar os crimes da ditadura uruguaia perante o Parlamento Europeu e a Amnistia Internacional.
Em 21 de maio de 1976, os quatro corpos foram encontrados em um carro abandonado, crivados de balas e com sinais de que haviam sido torturados no dia anterior. Ao redor dos corpos havia panfletos e pichações de uma suposta organização subversiva que assumiu a responsabilidade pelo ataque. Poucos dias depois de tomar conhecimento da notícia, Juan María Bordaberry – o presidente de facto – foi demitido e, em seu lugar, assumiu o cargo Alberto Demicheli.
Durante a ditadura uruguaia, estima-se que cerca de 380 mil pessoas foram exiladas do país, 14% da população da época.
Com informações da AP e AFP.




