“Existem 5,7 milhões casas com déficit habitacional”afirmou Federico González Rouco, economista especializado em habitação, juntamente com Gustavo Llambías (AEV) chefe do Observatório Federal de Acesso à Habitação, patrocinado pela AEV (Associação de Empresários Habitacionais) e CEDU (Câmara de Empresas e Promotores Urbanos).
Conforme explicaram, a nova organização nasceu com um objetivo principal: criando informações confiáveis, sistematizadas e periódicas isto permite-nos compreender profundamente os problemas habitacionais do país.
Desta forma, Llambías recordou, na Exposição Internacional de Construção e Habitação (BATEV) que coincidiu com a inauguração oficial do Observatório, que quando foi apresentado o programa Procrear em 2012, foi anunciado que seriam construídas 200.000 casas em dois anos. “Um disparate completo”, resumiu.
Nesse sentido, explicou que são construídas 200 mil novas moradias por ano na Argentina. No total, o setor privado produz cerca de 80%, e o Estado entre 10% e 20%. “Nenhuma política pública consegue gerar um aumento de 50% na produção de um ano para o outro.“, afirmou, enfatizando o papel da entidade em trabalhar com dados confiáveis e realistas.
Outro pilar do observatório será a sua abordagem federal. “Argentina é um país muito heterogêneo e exige ser estudado com todas as suas diferenças”, afirmou González Rouco, acrescentando: “Precisamos disso saia do porteñocentrismo ou AMBAcentrismo”. Por isso, a organização quer produzir informações sobre regiões onde atualmente há pouca evidência estatística.
Além disso, o economista destacou a necessidade de analisar o acesso à habitação numa perspetiva mais ampla, que combine o mercado imobiliário com variáveis demográficas e sociológicas. “Para ter acesso à habitação é preciso que haja habitação e pessoas e famílias que possam frequentar”, resumiu.
Déficit habitacional em números
Neste contexto, González Rouco analisou alguns dos principais indicadores do problema: “Em 2025, segundo os últimos dados disponíveis, 38,7% dos agregados familiares, ou seja, 5,7 milhões, vivem com défice habitacional.“, afirmou. Ou seja, quatro em cada 10 casas têm algum tipo de déficit.
A percentagem não é nova: manteve-se relativamente estável ao longo da última década, oscilando entre 42% e 37%. Porém, o especialista comentou quando são geradas informações importantes são analisadas mudanças na composição desse déficit.
Por um lado, as mudanças metodológicas relacionadas com a forma como os inquéritos são realizados têm impacto. Por outro lado, devem ser levados em conta fatores como migrações internas, mudanças nos hábitos de consumo e mudanças no estilo de vida que deixou a pandemia.
Ao dividir o déficit habitacional – quase 39% – verifica-se que:
“A habitação é o principal problema Pessoas que moram em casas que poderiam ser melhoradas, mas não têm como melhorar“, afirmou.
Jovens, os mais afetados
A situação habitacional dos jovens merece uma análise separada. “São o segmento etário com maior défice habitacional”, afirmou o economista ao incorporar a dimensão geracional na análise.
Em números, cerca de sete milhões de pessoas com idades entre 25 e 35 anos vivem no país. No total, 2,5 milhões ainda vivem com os pais ou avós.
“É difícil para mim acreditar no que muita gente diz: gosto de voltar do trabalho para casa e morar com meus pais”, disse ele, resumindo o problema da seguinte forma. falta de possibilidade de emancipação, através de renda ou crédito hipotecário.
Dentro deste universo, 1,2 milhões vivem em lares com défice habitacional e 1,3 milhões em lares sem défice.
Nesse sentido, o especialista calculou que Se a economia da Argentina continuar a fortalecer-se e o crédito hipotecário se expandir, aproximadamente 500.000 jovens procurarão habitação dentro de aproximadamente dois anos. “Não sei se o setor está preparado para esse valor”, refletiu.
E as casas dos inquilinos?
Los casas de inquilino constituem um caso certo, tal como são apresentados nível de défice habitacional inferior ao dos proprietários.
“É natural, se arrendar, certamente tem uma margem de decisão maior”, disse o economista, ligando esta realidade ao desenvolvimento económico: Regiões com um mercado de arrendamento mais dinâmico também tendem a ter os melhores níveis de desenvolvimento. “É preciso promover o mercado de arrendamento, não opor-se a ele”, enfatizou.
Soluções?
À primeira vista, a solução parece simples: construir mais e melhores habitações. No entanto, o desafio é muito mais complexo.
“Considerando o défice, são necessárias 1,5 milhões de habitações”, disse o economista.
Mas o número continua a aumentar se forem incluídos outros factores: são necessárias cerca de 500.000 casas adicionais para satisfazer a procura potencial de jovens que ainda não conseguiram emancipar-se; outros 400 mil para reduzir a superlotação, e um número ainda maior se a migração interna for levada em conta.
Para González Rouco, financiamento é a chave: “Não estou falando de uma hipoteca para comprar dois quartos, mas de algo mais profundo”, resume.
Neste sentido, destacou o papel que o mercado de capitais pode desempenhar. “Grande parte do problema das políticas habitacionais e da abordagem ao mercado imobiliário foi pensada como algo separado do mercado de capitais.“Segundo o economista, estes setores devem ser considerados complementares: sem financiamento ou a longo prazo, vai depender da capacidade de todos pagarem e comprarem casa, de acordo com o investimento que puderem fazer para a construir ou de acordo com o que o Estado puder construir.
Ao mesmo tempo, enfatizou que nem todas as soluções passam pela construção de novas moradias. Além disso É necessário financiamento para fazer melhorias, expandir as habitações existentes, ligar as habitações aos serviços básicos e desenvolver infra-estruturas que ainda não existem.
Como funcionará o Observatório?
A metodologia é um dos principais diferenciais da entidade, segundo seus publicitários. “O défice habitacional sempre foi medido em duas dimensões: qualitativa e quantitativa, mas sem uma metodologia padronizada.“, explicou o economista, lembrando que a maior parte dos estudos dependia dos censos nacionais, que são atualizados de 10 em 10 anos.
O novo sistema inclui quatro dimensões de análise:
Com base nessas técnicas, os gestores confirmam isso pode fazer relatórios a cada três meses o que permitirá acompanhar a evolução do défice habitacional quase em tempo real.



