EXPLICAÇÃO
O líder da extrema direita poderá ser impedido de concorrer à presidência em 2027 se as acusações de peculato forem mantidas.
Um tribunal de recurso francês está prestes a emitir uma decisão histórica sobre se Marine Le Pen e outros membros do seu partido na Assembleia Nacional utilizaram indevidamente fundos do Parlamento Europeu para contratar assessores entre 2004 e 2016.
Se, na terça-feira, o tribunal confirmar a sua condenação em 2025, que a viu afastada do cargo durante cinco anos e condenada à prisão domiciliária, Le Pen – uma das figuras mais proeminentes da direita europeia e a favorita na corrida francesa de 2027 – não poderá concorrer às eleições presidenciais do próximo ano.
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Na quarta-feira da semana passada, Le Pen disse que mesmo que o tribunal apenas mantivesse a ordem para ela usar uma pulseira eletrónica, ela não se manteria. “Se posso ser candidato, serei candidato, desde que possa fazer campanha”, disse o activista político de 57 anos ao canal LCI.
“Porque se eu puder ser candidato, mas for efetivamente impedido de fazer campanha de forma independente, então você entende que isso não vai acontecer.”
Le Pen foi condenado?
Em março de 2025, um tribunal criminal de Paris decidiu que Le Pen estava no centro de um “sistema fraudulento” utilizado pelo seu partido para desviar 2,9 milhões de euros (3,32 milhões de dólares) de fundos do Parlamento Europeu.
O tribunal também multou o partido Rally Nacional em 2 milhões de euros (2,29 milhões de dólares), metade dos quais foi suspensa.
Ele foi acusado de usar dinheiro destinado a cobrir os custos dos assistentes parlamentares para pagar trabalhadores que trabalham para o seu partido político. Os políticos da UE recebem fundos para cobrir despesas, incluindo salários de assistentes parlamentares, mas não estão autorizados a utilizá-los para atividades partidárias.
Le Pen foi condenado a ser julgado em 2023, após uma investigação de sete anos, juntamente com mais de duas dezenas de outros arguidos. Ele e o seu partido negaram as acusações, argumentando que o dinheiro foi usado legalmente e que os procuradores usaram uma definição demasiado restrita do que fazem os assessores parlamentares.
Quais são as implicações políticas da decisão?
Como parte da decisão do início do ano passado, Le Pen foi proibida de exercer cargos eletivos por cinco anos e condenada a dois anos de prisão domiciliar com pulseira eletrônica. Como a França realizará a primeira volta das suas próximas eleições presidenciais em 18 de abril de 2027, com segundo turno marcado para 2 de maio, Le Pen não poderá concorrer se perder o recurso.
O líder da extrema direita prometeu revidar se for impedido de concorrer. “Se não puder ser candidato, usarei todos os recursos disponíveis”, disse Le Pen.
Pode, portanto, recorrer ao mais alto tribunal de França, o Tribunal de Cassação, que não julga os factos, mas examina se os tribunais e os tribunais de recurso aplicaram a lei correctamente. O tribunal pode levar cerca de seis meses para ouvir o caso e emitir uma decisão.
Se for autorizado a concorrer, Le Pen será amplamente visto como o principal adversário para substituir o presidente centrista Emmanuel Macron nas eleições de 2027. Caso contrário, seu protegido Jordan Bardella, de 30 anos, provavelmente concorrerá.
O que pode o Tribunal de Recurso decidir?
Um tribunal de recurso poderá anular a condenação de Le Pen na decisão de 7 de julho, deixando-a livre para concorrer à presidência no próximo ano. Especialistas jurídicos dizem que um veredicto parece improvável, dadas as conclusões do tribunal em primeira instância.
Em vez disso, o tribunal poderia manter a condenação de Le Pen. Se mantiver a proibição de cinco anos solicitada pelos promotores, isso o desqualificará para concorrer à presidência, abrindo caminho para que Bardella o substitua. Le Pen pode então recorrer ao Tribunal de Cassação.
Uma terceira possibilidade é que o tribunal mantenha a condenação, mas amenize a sentença. Se a proibição de cargos públicos for levantada ou reduzida para dois anos ou menos, a porta para uma candidatura presidencial estará aberta.




