Por que, na minha opinião, Reeves estava delirando em certo ponto

Você pode ter visto a enxurrada de manchetes no fim de semana, onde a chanceler, Rachel Reeves, foi acusada de diversas maneiras de mentir e enganá-lo antes de seu orçamento na semana passada.

É minha função, depois de examinar cuidadosamente os fatos, denunciá-los em seu nome, com cuidado, em termos precisos.

E, na minha opinião, relativamente a um determinado elemento do que o Chanceler e o Tesouro nos disseram antes do Orçamento, fomos induzidos em erro.

Vamos examinar isso passo a passo. Na terça-feira, 4 de Novembro, o Chanceler convocou uma conferência de imprensa extraordinária pré-orçamental.

Foi novo e voluntário – algo que nunca tinha acontecido antes.

Reeves convocou aquela conferência de imprensa porque queria preparar o terreno para um grande orçamento cheio de escolhas difíceis.

E sejamos claros: muito do que ouvimos do Chanceler no seu discurso ao pequeno-almoço há quase quatro semanas lançou razoavelmente as bases para o que estava por vir.

Ele deixou claro que grandes aumentos de impostos estavam por vir e estava certo. Ele falou sobre a importância de suas medidas para tentar resolver o custo de vida e elas estavam em seu orçamento na semana passada.

Ele expressou sua disposição de avançar mais nas planilhas contra suas regras financeiras autoimpostas – o chamado “headroom”. Tal como fez na manutenção dos gastos de investimento a longo prazo, ele pagou por isso.

É importante ressaltar que ele também falou sobre produtividade, uma medida da produção da economia por hora trabalhada. Esperava-se que o analista e órgão de fiscalização, o Gabinete de Responsabilidade Orçamental, reduzisse as suas estimativas para o crescimento da produtividade.

A decisão do OBR teve grandes implicações para Reeves – afectando os números, as folhas de cálculo e, portanto, os cálculos e compromissos que ele teve de fazer. Isoladamente, isso dificultou as coisas para ele, sem dúvida.

Em outras palavras, o que ele não disse na coletiva de imprensa não foi errado.

Mas – e este é o ponto – sabemos agora que ele sabia algo que não partilhou connosco esta manhã – e é que as receitas fiscais foram muito melhores do que o esperado e mais do que compensaram o declínio no crescimento da produtividade.

Desde então, o OBR deixou isso muito claro e estabeleceu um cronograma para quando informar o Tesouro – incluindo que o chanceler sabia dos dados das receitas fiscais no momento da coletiva de imprensa.

Na verdade, o Tesouro optou por divulgar este facto sobre as receitas fiscais 10 dias depois, quando o Financial Times informou que as taxas do imposto sobre o rendimento não mudariam em nada no Orçamento, e os mercados perguntaram-se como é que os números iriam aumentar.

O que se seguiu foram instruções para mim e para outros, que eram precisas e pretendiam tranquilizar esses mercados – e que diziam que as receitas fiscais eram muito mais fortes do que esperávamos, então tudo bem.

Assim, naquela conferência de imprensa há um mês, o chanceler voluntariou-se para partilhar algumas informações de que tinha acesso, mas optou por não partilhar outras informações de que tinha acesso – apenas para optar por partilhar o seu conteúdo 10 dias mais tarde, quando o considerou politicamente conveniente.

Devo dizer que o Tesouro sustentou que era injusto chamá-lo de delirante porque durante a conferência de imprensa o Chanceler enfrentou um enorme buraco na sua folha de cálculo sobre o buffer ou margem de manobra que pretendia criar e as escolhas políticas que pretendia.

Os números não confirmam isso.

E o OBR pode dizer que o Chanceler teve razão em ser conservador e cauteloso, ou que deveria ter baseado os seus planos numa versão inicial da previsão do órgão de fiscalização – porque essa seria a coisa certa a fazer. O chefe do OBR, Richard Hughes, responderá às perguntas dos parlamentares do Comitê do Tesouro na manhã de terça-feira.

Mas as palavras daquele dia não corresponderam aos factos que descobriríamos mais tarde e que o Chanceler conhecia na altura.

Link da fonte