O ano de 2025 foi marcado por surpresas e elevada volatilidade. A saída parcial das ações e o acordo com o FMI impulsionaram os preços dos ativos, embora mais tarde o fim do LEFI e o calendário eleitoral tenham criado episódios de fortes tensões que provocaram o colapso do plano económico e aumentaram o risco país. O apoio externo foi fundamental para estabilizar as expectativas, assim como o fracasso nas urnas, levando o país a correr o risco de voltar a flertar com o baixo nível de Milei, que hoje está próximo dos 570 pontos. Agora que o risco político foi moderado, o foco está nas reformas para apoiar a actividade económica e o BCRA pode constituir reservas.
Perfil de pagamento requer financiamento
Um dos principais objectivos do programa económico é restabelecer o refinanciamento da dívida soberana em dólares. O regresso do setor empresarial ao mercado internacional com mais de 15 mil milhões de dólares emitidos entre 2024 e 2025 e a estreia das regiões abriram o caminho. O próximo passo é o soberano. Para além do discurso oficial, acreditamos que o governo procurará abrir a janela de financiamento externo em 2026, num contexto de prazos exigentes e à custa do capital como pilar da mudança do macro-regime. O desafio está nos custos. as taxas ainda estão próximas de 10%. O risco-país deve ser comprimido para a área de 400/450 pontos base.
O primeiro teste de 2026 está chegando
Sexta-feira, 9 de janeiro, será o primeiro cupom e principal de 2026. O pagamento total é de US$ 4.382 milhões, dos quais US$ 2.695 milhões são explicados por capital e o restante por juros (US$ 1.686 milhões). Ressalta-se que ao final de 2025 o Tesouro possui aproximadamente US$ 2,187 milhões em depósitos em dólares no BCRA (dados de 26/12 e não incluem as vendas implícitas de segunda-feira). Desta maneira, O Tesouro ainda terá falta (pelo menos) de cerca de 2,195 milhões de dólares para cobrir o total. Parece que já está tudo acertado para que o Tesouro preencha a lacuna com operações compromissadas com bancos internacionais.
O perfil de vencimento do peso é desafiador, mas administrável
Depois de um 2025 bem sucedido, apesar da volatilidade, não há grandes riscos até 2026 rolo: em comparação com o ano em que partimos. Janeiro concentra vencimentos de US$ 22,8 bilhões, embora apenas US$ 16,2 bilhões estejam em mãos privadas, e a média anual de pagamentos privados seja de cerca de US$ 8,9 bilhões por mês. No cenário de baixa volatilidade, O Tesouro deverá ter um ano tranquilo e retomar com o objetivo de estender os vencimentos da dívida em pesos. O investidor offshore está a criar espaço para garantir o fluxo, uma vez que está a começar com apenas 2 mil milhões de dólares em títulos públicos denominados em pesos.
O autor é o chefe da equipe de estratégia do PPI




