Um painel do Supremo Tribunal Federal do Brasil votou pela condenação de Eduardo Bolsonaro por fazer lobby junto aos Estados Unidos para intervir no julgamento de seu pai, o ex-presidente de direita Jair Bolsonaro.
Na terça-feira, três dos quatro juízes do painel votaram a favor da condenação, sendo que o outro juiz ainda não votou.
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Decidiram que as ações de Eduardo Bolsonaro constituíam coerção contra o sistema de justiça brasileiro e o condenaram a quatro anos e dois meses de prisão.
“Não se trata apenas de uma expressão de opinião ou de uma postura política, mas sim de um comportamento que claramente ameaça as autoridades brasileiras e o próprio povo brasileiro”, disse o juiz Cristiano Zanin ao chamar as ações de Eduardo Bolsonaro de “ilegais e criminosas”.
A condenação é o mais recente revés legal para a família Bolsonaro, que continua a ser a força dominante na direita política do Brasil.
Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos de prisão por sua tentativa de permanecer no poder depois de perder as eleições de 2022 no país.
Os promotores descreveram suas ações como uma tentativa de golpe. Bolsonaro e sua família descreveram o julgamento como uma caça às bruxas política.
Terceiro filho do ex-presidente e membro da Câmara dos Deputados do Brasil, Eduardo Bolsonaro tem atuado na defesa de seu pai.
Em março de 2025, ele prometeu que se mudaria para os EUA em tempo integral para “concentrar 100%” de sua energia em “uma causa”: libertar seu pai.
Os promotores o acusaram de lançar uma campanha ilegal para impeachment do presidente dos EUA, Donald Trump, e de usar influência estrangeira para pressionar as autoridades brasileiras a desistir do caso contra Jair Bolsonaro.
Trump, um aliado de Bolsonaro, também está tentando permanecer no cargo apesar de ter perdido as eleições de 2020 e acusou as autoridades brasileiras de perseguir vozes de direita como Bolsonaro.
Em julho de 2025, Trump emitiu uma carta anunciando tarifas de 50 por cento sobre determinados produtos brasileiros, citando as tentativas de Jair Bolsonaro, em particular, como motivo.
“Esta experiência nunca deveria ter acontecido”, escreveu Trump na época. “É uma caça às bruxas que deve acabar o mais rápido possível.”
Trump também emitiu uma ordem executiva aprovando um dos juízes do Supremo Tribunal do Brasil envolvidos no caso de Bolsonaro, Alexandre de Moraes, alegando que ele estava trabalhando para “atingir oponentes políticos” e “suprimir a dissidência”.
Ele chamou de Moraes de “ameaça” aos EUA, e seu governo posteriormente expandiu as sanções para incluir membros da família do juiz, bem como outros funcionários judiciais brasileiros.
O atual presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, denunciou a medida como uma tentativa de interferir nos assuntos internos do Brasil.
À medida que as relações com Lula esquentavam, o governo Trump aliviou as tarifas sobre o Brasil. Em dezembro, também suspendeu as sanções contra Moraes e sua família.
Entretanto, Lula visitou a Casa Branca em Maio e saudou o que descreveu como uma reunião produtiva com o seu homólogo norte-americano.
Mas ainda não está claro que papel Trump poderá querer desempenhar nas próximas eleições presidenciais do Brasil.
O esquerdista Lula está em campanha para um quarto mandato e provavelmente enfrentará a competição mais acirrada do filho mais velho de Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro.
Uma pesquisa CNT/MDA divulgada na terça-feira projetou que Lula receberia 49,3% dos votos no segundo turno, em comparação com os 40,2% do senador.
Flavio Bolsonaro enfrentou seus próprios problemas jurídicos nos últimos meses, com a polícia abrindo uma investigação em abril para saber se ele difamou Lula. Seu relacionamento com um banqueiro em desgraça também atraiu o escrutínio da mídia.
Enquanto isso, Jair Bolsonaro enfrentou questionamentos esta semana sobre a presença de armas de fogo em sua casa em Brasília, onde cumpre pena de três meses por motivos médicos.
O juiz de Moraes também pediu à equipe jurídica do mais velho Bolsonaro que explicasse a presença da arma, que a polícia encontrou durante uma busca de rotina na segunda-feira.
Um segurança de Bolsonaro disse inicialmente que a pistola Glock 9mm pertencia a ele, mas depois revelou que pertencia ao ex-presidente.
De Moraes deu 24 horas à equipe jurídica de Bolsonaro para explicar por que “o condenado mantinha uma arma de fogo em casa”.





