Experiência de leitura coletiva no Recoleta Terrace

A leitura é muitas vezes vista como uma atividade solitária. Em silêncio, lá dentro, longe do ritmo da cidade. O Coletivo de Leitores sugere o contrário: levar o livro às ruas e fazer da leitura uma experiência compartilhada. Neste sábado, às 17h30, a iniciativa chega à esplanada do Centro Cultural Recoleta (Junín 1930) com uma chamada aberta: traga um livro para ler silenciosamente e, se desejar, um exemplar para deixar, emprestar ou trocar.

Leiam juntos. A oferta Coletivo de Leitores convida você a trazer seu próprio livro e compartilhar a experiência em espaços públicosObturador

O projeto promovido por Por Qué Leer funciona como uma intervenção cultural itinerante que já realizou 25 encontros em diferentes cidades do país: Mar del Plata, Rosário, Córdoba, San Luis, Comodoro Rivadavia, Puerto Pyramides, San Juan e Entre Ríos, entre outras;

Segundo Cecilia Bona, jornalista e criadora do Por Qué Leer, o Coletivo de Leitores nasceu da ideia de “retirar o livro do espaço privado e transformar a leitura em um ato público” e se mantém como uma experiência aberta, sem pré-requisitos ou leituras obrigatórias;

A escolha do espaço público é uma parte central do projeto. Para os seus organizadores, a leitura conjunta em praças, esplanadas ou centros culturais funciona como uma forma de reapropriação urbana. “O coletivo convive com o espaço público. é a única forma de nos unirmos, de nos apropriarmos do que nos pertence como vizinhos e como leitores”, afirma Bona. Além disso, no caso da Recoleta, a intersecção com outras disciplinas – música, artes visuais e escrita – reforça a ideia da leitura como parte de um ecossistema cultural mais amplo e aberto a quem passa, a quem chega por curiosidade e a quem ingressa pela primeira vez.

A convite de Por Ke Ler, o Coletivo de Leitores realizará uma nova edição neste sábado, 31 de janeiro, às 17h30, no pátio do Centro Cultural Recoleta, com oferta aberta de leitura silenciosa e troca de livros.@porqueleerok:

Longe de se apresentar como uma reação nostálgica ao digital, o Coletivo de Leitores convive com as telas, mas oferece uma experiência diferente diante do cansaço físico e mental causado pelo consumo acelerado. O livro aparece como salvação, um espaço de tempo que restaura a autonomia. “Aqui, você escolhe o que ler, ao contrário dos algoritmos que enviam conteúdo para nós sem parar”, explica Bona. Ler também pode ser cansativo, ele admite, mas é um tipo diferente de cansativo, mais reflexivo, que permite pausas e profundidade.

Cada encontro pode ter temas diferentes dependendo do local: direitos humanos, natureza, Borges ou pedagogia, entre outros incentivos. A proposta se baseia nas tradições de mediação de leitura e em autores como Graciela Montes, Maria Teresa Andruetto, Laura Devetach e a francesa Michel Petit, que veem no livro um ponto e uma ferramenta para a regeneração comunitária.

A varanda do centro cultural “Recoleta” aguarda dezenas de leitores neste sábadoCortesia: CCR

Mais do que um evento isolado, o Coletivo de Leitores é entendido como uma prática performativa, uma manifestação pública da leitura como ato social. Primeiro, o silêncio geral. depois o diálogo. Esta sequência é central para uma experiência que foi construindo uma comunidade heterogénea atravessada por diferentes gerações e formas de ligação com os livros.

No futuro, Bona prevê uma expansão federal do projeto, com encontros simultâneos em diferentes cidades ou mesmo formatos de viagens que conectem leitores de diversas partes do país. Por enquanto, o convite é específico. este sábado na esplanada do CCR, abra um livro ao ar livre e povoe a cidade de leitura.


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