Ana Cândida Évora não pôde viajar para ver o filho disputar o empate sem golos com a Espanha devido ao custo do visto americano.
Publicado em 17 de junho de 2026
O líder da minoria na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos instou o secretário de Estado, Marco Rubio, a permitir que a mãe do guarda-redes cabo-verdiano Vozinha entre no país e veja o filho jogar no Mundial.
Ana Cândida Évora não pôde viajar para ver o filho jogar o empate sem gols com a Espanha por causa do custo do pagamento de uma fiança para um visto de entrada nos EUA.
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Em Janeiro, Cabo Verde foi incluído numa lista de dezenas de países cujos cidadãos devem apresentar uma fiança de até 15.000 dólares para entrar nos EUA, ao abrigo de regras introduzidas pela administração de Donald Trump destinadas a reduzir os vistos de permanência excessiva.
No mês passado, Washington anunciou que abandonaria a exigência para titulares de ingressos para a Copa do Mundo, dizendo que queria facilitar “viagens legais para futuros torneios da Copa do Mundo”. Naquela altura, porém, o elevado custo fez com que o Évora se recusasse a tentar a viagem de 6.400 km (3.900 milhas) até Atlanta.
“Gostaria de viajar e assistir ao jogo, mas não é possível”, disse ele.
Sua impossibilidade de visitar os EUA para assistir ao heroísmo de seu filho na Copa do Mundo provocou fortes reações.
“Nenhuma mãe deveria perder a oportunidade de ver seu filho fazer história”, disse o líder democrata da Câmara, Hakeem Jeffries, nas redes sociais.
“Pedi ao secretário de Estado, Marco Rubio, que fizesse tudo para garantir que ele pudesse comparecer ao próximo (jogo) no domingo.”
Um funcionário do Departamento de Estado disse que não havia registro de Évora solicitando visto, mas que os parentes do jogador eram elegíveis para isenção de fiança de visto. O funcionário disse que Washington estava “contatando ativamente as famílias desses jogadores para ajudar nos serviços de visto”.
‘Eu queria que ele estivesse aqui’
O goleiro cabo-verdiano Vozinha surpreendeu o mundo ao impedir a entrada dos formidáveis atacantes espanhóis na estreia do país insular na Copa do Mundo, na segunda-feira, com o jogador, cujo nome verdadeiro é Josimar Dias, chorando em tempo integral.
Ele ficou emocionado porque sua mãe não pôde viajar para ver pessoalmente seu heroísmo, disse ele aos repórteres, citando questões de visto.
“Além disso, minha mãe, ela não conseguiu estar aqui por causa do visto. O dinheiro para o visto, não conseguimos na hora certa e eu quero que ela esteja aqui”, disse.

A fase inicial do torneio foi marcada por questões de imigração, com o árbitro somali Omar Artan impedido de entrar nos EUA para apitar jogos da Copa do Mundo.
Vários funcionários de bastidores iranianos também tiveram seus vistos negados para os EUA, com condições rígidas de viagem impostas à equipe, que mudou sua base para o México.
Para os países mais pequenos no Mundial, os elevados custos de viagens, alojamento e bilhetes também são um problema para aqueles que querem participar no torneio, disse Mário Semedo, presidente da Federação Nacional de Futebol de Cabo Verde.
“Não é fácil para um cabo-verdiano ir ao Mundial. Passagens aéreas, alojamento e bilhetes para os jogos envolvem custos enormes”, disse à agência de notícias Reuters.
“Existem certamente formas de gerir as preocupações com a imigração e, ao mesmo tempo, criar condições que permitam aos adeptos viajar. Se um membro da família de um jogador, por exemplo, quiser participar no torneio, deverão ser feitos todos os esforços para facilitar isso.”







