O segundo semestre terminou. Com o dólar subindo novamente e o bônus ainda fresco em muitas contas, a mesma pergunta retorna: como devemos investir nos próximos meses? É hora de apostar no peso ou proteger o poder de compra do dólar?
Para quem não tem muita experiência no mundo dos investimentos, os fundos mútuos (FCIs) são uma alternativa sempre adequada a diferentes perfis. “Essa ferramenta permite o acesso a um portfólio diversificado de ativos, sem a necessidade de grandes capitais. Também oferece a oportunidade de escolher estratégias que correspondam ao perfil e aos objetivos de cada investidor”, explica Flavio Castro, Asset Management da Criteria.
O que um investidor muito conservador pode escolher no menu de seu banco ou corretora? O primeiro passo refere-se aos fundos conhecidos como fundos de liquidez ou monetários (FCI Money Market), ou seja, recuperar a totalidade ou parte do dinheiro investido, de imediato ou no prazo máximo de 24 horas. Não vencem a inflação, mas atenuam a perda de poder de compra. Eles são seguidos por FCIs que ajustam seu capital à inflação, FCIs com desempenho vinculado a RCEs, que também são oferecidos pela maioria dos gestores de fundos. Aqui o rendimento potencial está em linha com a inflação e eles têm a vantagem de que, em relação ao prazo fixo UVA – por exemplo – não é necessário esperar 90 dias para recuperar os recursos.
Na IOL, para os mais conservadores e para administrar pesos de curto prazo, o IOL Cash Management foi colocado como a primeira alternativa e para quem se atreve a dar um passo além, o IOL Powered Portfolio “projetado para quem busca renda mista de médio e longo prazo (+90 dias), repetindo automaticamente as carteiras recomendadas pelos analistas da IOL”, explica Damian Strategiko, Líder de Investimentos da Vlassich.
Outra estratégia para investidores que desejam permanecer em pesos são os títulos. “Para um perfil moderado que busca alternativas eficientes em moeda local com cláusulas de proteção cambial, cambial e contra a inflação, sugerimos o título duplo TAMAR/taxa fixa de setembro de 2026 (TTS26) de quatro meses e o título do Tesouro ajustável em CER com vencimento em setembro de 2027 – TZXS7)”, oferece Vlassich.
“O bônus duplo é ideal para posicionamento defensivo em pesos na seção curta da curva, porque quando ajustado pelo maior rendimento entre a taxa fixa (com uma taxa mensal efetiva atrativa de 2,17%) e a taxa referencial Tamar do Banco Central, o TTS26 atua como uma excelente proteção contra possíveis mudanças na política monetária. “Preferimos que este instrumento capture rendimentos muito competitivos com proteção integrada contra aumentos de taxas”, afirma o analista do IOL.
Cocos – que acaba de se tornar um banco depois de comprar o Banco Voii e nomeou Martín Diez como CEO – propõe manter 40% em pesos num FCI de baixo risco para este perfil conservador. “O restante – afirma Damian Palais, assessor financeiro da Cocos Gold – é dividido entre os dois títulos 30% e 30% em dólares, para proteção contra uma possível alta do câmbio e para agregar renda. O soberano AO27 que paga cupons mensais em dólares e o título negociável (ON) da Pampa Energía com TIR de 5%”.
Para quem decide arriscar mais em busca de melhores retornos, entendendo que deve ser uma estratégia pensada para mais de um ano e que ao longo do caminho pode haver aumentos e quedas de preços, Cocos acrescenta ainda outras opções, como o título AO28 – também com pagamentos mensais, mas que vencerá fora do mandato do presidente Javier Milei – e o AE38 com TIR anual de aproximadamente 9% em dólares.
A TSA Bursátil oferece mais alternativas de renda fixa para aumentar a poupança ou bônus ao longo do tempo. Para um perfil moderado, a carteira sugerida conta com 40% de YPF Luz 2032 ON, com TIR de 6,3%, e o restante dividido igualmente em títulos soberanos: AO28, títulos provinciais, CO35 e cederas, ou seja, ações de empresas estrangeiras. Há o ETF SPHQ e ações XLU e AT&T
Se o perfil for mais agressivo, TSA sugere que não faltará ação e mais cedroe propõe um mix de ações argentinas (Pampa, Central Puerto, Transener, Banco e Macro), Cedears (MSFT, META, NVDA, EWZ) e títulos soberanos (GD41).
Por sua vez, o IOL propõe acrescentar outras alternativas. A primeira é a Microsoft (MSFT), que está “negociada com avaliações muito atractivas após uma recente correcção em Wall Street que consideramos excessiva”, afirma Vlassch, salientando que se trata de uma empresa com liderança indiscutível em infra-estruturas de nuvem e na integração de IA no seu ecossistema de software. Uma segunda opção é a Nvidia, que “mantém um monopólio virtual em hardware e microchips de alta potência para data centers e processamento de modelos de linguagem complexos (IA)”, analisa o especialista do IOL. E, por último, sugere apostar no ETF XLP Consumer, que seria uma componente defensiva ideal para equilibrar a carteira, uma vez que inclui grandes empresas dos EUA em matérias-primas essenciais, como Procter & Gamble, Walmart e Coca-Cola, e oferece um refúgio de valor e fluxos previsíveis, uma vez que o seu rendimento permanece estável mesmo durante períodos de volatilidade geopolítica global.
Por fim, as ações argentinas escolhidas por Damián Palais de Cocos são Pampa e IRSA, às quais ele alocaria teoricamente, para um investidor agressivo e avesso ao risco, 20% da carteira. 40% seriam distribuídos três cedros: Berkshire, Mercado Libre e Microsoft, que está entre as alternativas de quase todos os analistas para os próximos meses.



