“Na campanha 2026/2027 será aconselhável desenvolver um plano agrícola diversificado, com diversas culturas distribuídas pela superfície arável, se tivermos em conta que será um ano de grande volatilidade”. aconselha o consultor Júlio Lieutier.
A variabilidade do cenário virá de diversos fatores, segundo o profissional. Em primeiro lugar, o conflito bélico no Médio Oriente não está resolvido Existe uma incerteza considerável sobre o impacto nos preços futuros do gasóleo, fertilizantes e outros factores de produção. Por exemplo, a ureia passou de um custo de 600US$/t no início do ano para 1050 em plena guerra do Médio Oriente, caindo para 760-800 no início de Junho.
Neste contexto volátil, os mercados de cereais alteram os preços ao ritmo das notícias. O exemplo mais claro é o impulso que as sementes oleaginosas receberam pela sua capacidade de criar biocombustíveis; Mas esse ímpeto poderá perder ímpeto se os EUA e o Irão chegarem a um acordo duradouro.
Por outro lado, a questão climática também terá impacto: estamos a caminhar para um evento normal de El Niño ou para um super Niño? Hoje não temos resposta, depois de março e abril tivemos chuva, e aí o tempo mostra tendência para um período mais seco.
Dadas essas incertezas “Não faria sentido jogar todas as cartas na cultura que apresenta a melhor margem, mas sim manter a rotação histórica, com pequenas alterações dependendo do rendimento esperado. E a outra medida seria estar comercialmente alerta e aproveitar a oportunidade de fazer hedge flexível para garantir alguma rentabilidade quando os preços-alvo forem alcançados”, aconselha Lieutier.
Margens ainda mais
A tabela a seguir apresenta as margens líquidas e os preços de equilíbrio para as três alternativas agrícolas mais comuns na área central de produção, com valores de grãos no início desta semana. O modelo criado pela plataforma Agbi.com.ar é construído com aluguel de 16qq/ha, com tendência de produtividade e preços futuros de mercado para a época da colheita.
A tabela mostra a melhora na margem primária da soja na campanha 2026/27, basicamente devido aos altos preços oferecidos atualmente para a época de colheita, graças ao aumento do preço do petróleo após o pico do petróleo. A baixa necessidade de fertilizantes, combinada com sementes baratas, trabalha a seu favor. Por outro lado, com preços a prazo, o retorno da indiferença fica abaixo dos retornos da tendência.
Por outro lado, o milho não apresenta tanto brilho como na campanha 2025/26 devido à estagnação de preços provocada pela super colheita nacional e pelas perspectivas de alta produção nos Estados Unidos e no Brasil. Eles também trabalham contra fertilizantes e produtos básicos mais caros. Dessa forma, reduz-se a grande diferença de margens entre o milho precoce e a soja que foi observada nos cálculos feitos na mesma época do ano passado. Contudo, retornos equilibrados também podem ser alcançados num ano com boa pluviosidade.
Com os rendimentos apresentados na tabela, prevê-se que o trigo/soja tenha a margem mais baixa das três alternativas para a campanha de 2026/27 devido ao aumento dos custos dos fertilizantes necessários para o trigo, às maiores necessidades de mão-de-obra e aos preços mais elevados das culturas. No ciclo actual, será provavelmente mais comercial combinar cevada com soja se for possível encontrar um ponto de entrega próximo. Outra alternativa é a colza, com números teóricos muito atrativos, embora deva ser estabelecido um contrato para assumir a produção.
Em nossas lavouras próprias, mantêm-se os melhores resultados para soja de primeira qualidade e milho precoce, com margens fracas para trigo/soja.
Por fim, cabe esclarecer que os resultados apresentados devem ser considerados um “instantâneo” das previsões da campanha e que o calendário pode sofrer alterações à medida que avança devido aos fatores mencionados no início, pelo que será aconselhável dividir o risco do negócio entre a cultura, a data de sementeira e as metas de produção a entregar.
Por exemplo, os preços ao final da campanha 2026/27 estão atualmente melhores que os da soja de maio, do milho de abril e do trigo de dezembro, o que é incomum quando são feitas as primeiras projeções de uma campanha. Isto dá a perspectiva de margens positivas, que podem piorar se o contexto actual mudar.



