Cabo Verde não se separa da Argentina: “Isto é mais importante que a nossa independência”

MIAMI (enviado especial).- Às 12h00, o sol de Miami caiu impiedosamente sobre a grama do estádio Inter, onde Messi jogou durante os últimos três anos, até que a franquia da MLS decidiu instalar um local mais moderno, em outra parte da cidade que abriga o melhor jogador do mundo.

Apesar do calor, e em vésperas do jogo mais importante das suas vidas, os jogadores de Cabo Verde saíram do balneário em quinze minutos abertos organizados para a imprensa.

Treinamento de Cabo Verde em MiamiMatias Boela

Com a confiança em alta, treinaram no calor intenso de Miami. Os vinte e seis jogadores movimentaram-se sob as instruções do preparador físico e sob a supervisão do treinador “Bubista”. A seleção africana chegou na noite de quarta-feira vinda de Tampa, sua base de treinamento, a cerca de 500 quilômetros de Miami.

As expectativas são elevadas no arquipélago atlântico localizado ao largo da costa do Senegal. Os cabo-verdianos consideram o jogo de amanhã contra a Argentina um dos marcos mais importantes da história do país com cerca de 500 mil habitantes e espalhado pelo mundo.

A diáspora cabo-verdiana estende-se por Portugal, país que se tornou independente em 1975, Espanha, França e Reino Unido. Há também uma grande presença de filhos e netos de cabo-verdianos nos Estados Unidos, Brasil e Argentina.

Dailon Livramento, 9º de Cabo VerdeImprensa de Cabo Verde

Milhares de pessoas virão amanhã a Cabo Verde para assistir ao jogo contra a equipa de Messi no Hard Rock Stadium. Assim, nas últimas horas, a Federação de Futebol de Cabo Verde anunciou que comprou bilhetes para garantir que há mais adeptos. A compra incluiu uma série de ingressos a preços oficiais, que estão sendo reivindicados por milhares de argentinos que estão vendo preços de revenda começando em US$ 3.000 e subindo acima de US$ 13.000 por ingresso.

Enquanto os Blue Sharks treinavam, LA NACION conversou com o único jornalista enviado pela RTCRádio e televisão de Cabo Verde. Victor Hugo Fortes Ele disse: “Esta é uma grande oportunidade para Cabo Verde mostrar ao mundo não apenas o futebol, mas todo o país”.

Os jogadores de Cabo Verde comemoram após avançarem para a próxima fase da Copa do Mundo após empate em 0 a 0 com a Arábia Saudita no Grupo H, na sexta-feira, 26 de junho de 2026. (AP Photo / David J. Phillip)David J. Phillip – AP

-O que este momento significa para o seu país?

-Este é um grande momento para mostrar onde está Cabo Verde, somos ilhas muito pequenas no Atlântico. O mundo perguntou onde ele estava e acho que agora ele faz menos. Basta olhar para o grupo de jornalistas aqui hoje de todo o mundo. Quando a Copa do Mundo começou, éramos apenas três em Tampa. Agora temos mais de uma centena, o que é bom para nós porque Cabo Verde está na moda porque somos um país que vive muito do turismo.

– Você se lembra de alguma alegria como essa?

-Sempre que há um momento histórico como a qualificação para a Copa do Mundo do ano passado, é considerado o momento mais importante da história, mesmo acima da independência do país há 50 anos. A qualificação para a próxima fase é um grande impacto para nós. Vivemos em Cabo Verde com muita alegria e esperança.

Está em andamento o jogo de Cabo Verde contra a Argentina: treino nas instalações do Inter Miami

-Para isso? Sobre a independência?

-Quem viveu a independência em 1975 diz que o que está acontecendo é muito mais forte, por causa de toda a euforia e alegria vivida com a seleção.

-Em qual jogador a Argentina deve prestar atenção?

-Cabo Verde é um grupo, não podemos destacar um. Bubista utilizou 25 dos 26 jogadores do time. Não há muita diferença entre eles. É a vozinha mais velha e o capitão. Não há ninguém que se destaque como na Argentina, tem o Messi que marcou seis gols em três jogos. Ele é uma estrela mas para Cabo Verde a união da equipa é o mais importante para nós.

O guarda-redes cabo-verdiano Vozinha é a figura de proa da sua selecçãoAshley Landis

-Como surgiu a ideia de formar um time com todos os jogadores do exterior?

– É uma ideia antiga, não é a primeira vez que acontece. Na década de 90 os jogadores não eram profissionais mas depois começaram a jogar em outros países. Há também jovens nascidos em Espanha, Portugal e França que têm maior qualidade e fortalecem Cabo Verde.

-O que você sabe sobre a Argentina?

-Temos histórias de jogadores cabo-verdianos que lá jogaram. Também nos lembramos dos tempos de Diego Armando Maradona e agora gostamos de Messi. Muitos torcedores apoiam a Argentina nas Copas do Mundo. Mas agora decidiram manter a camisa da Argentina e vestir a de Cabo Verde.

-A Vozinha é a figura maior?

-É um excelente goleiro, que se destacou na partida contra a Espanha. Já foi figura noutras competições e também em Portugal, onde disputa a promoção. É uma grande vitrine na Copa do Mundo, é uma grande vitrine que traz mais torcedores. Mas o mais importante aqui é a equipe

-Você acha que pode vencer a Argentina?

-E

-90 minutos, pênaltis?

-De uma forma ou de outra.

-Como serão recebidos no seu país?

– Com uma grande festa o resultado de amanhã não importa. Estar aqui é motivo de orgulho para nós. Se vencermos a Argentina ficaremos mais tempo e atrasaremos a nossa chegada a Cabo Verde.




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