Brasil intercepta 108 migrantes cubanos em meio a crescentes pedidos de asilo | Notícias sobre a crise humanitária

A polícia brasileira interceptou 108 cubanos em um dia enquanto eles eram contrabandeados para o país.

Num comunicado divulgado na terça-feira, as autoridades disseram que o incidente fazia parte de uma tendência crescente de imigração indocumentada que deixava a sitiada ilha caribenha em direção ao Brasil.

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O Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil descreveu a operação como um “resgate”, destinada a desmantelar o tráfico de pessoas e a migração irregular.

“Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), esta é a maior operação de resgate humanitário já registrada em um único incidente em Roraima”, disse o ministério, referindo-se a um dos 26 estados do Brasil.

Roraima está localizada na floresta amazônica, na fronteira com a Guiana e a Venezuela. O ministério disse que “a grande maioria” dos cubanos usa a Guiana como porta de entrada no Brasil.

Cerca de 57,6% dos imigrantes cubanos vivem no Brasil, em Roraima ou no Amapá, outro estado fronteiriço ao norte.

Cuba enfrentou uma crise humanitária crescente nos últimos meses, à medida que enfrenta um embargo de facto aos combustíveis imposto pelos Estados Unidos.

Desde Janeiro, nenhum petróleo estrangeiro foi autorizado a chegar à ilha das Caraíbas, excepto um petroleiro russo. Os EUA ameaçaram impor tarifas elevadas contra qualquer país que pudesse tentar fornecer petróleo a Cuba, o combustível necessário para a sua frágil rede energética.

As restrições tiveram efeitos generalizados, com a interrupção dos serviços públicos em muitas áreas. O país foi assolado por vários apagões em toda a ilha e os residentes relatam dificuldade no acesso a bens básicos, como alimentos e medicamentos.

Os críticos temem que a pressão leve a uma nova onda de migração da ilha. Durante a pandemia da COVID-19, por exemplo, a recessão económica contribuiu para a migração em massa, com a população de Cuba a diminuir cerca de 10% ou mais.

Desde 2024, a Polícia Rodoviária Federal do Brasil afirma ter “resgatado” cerca de 297 migrantes e requerentes de asilo em Roraima, a maioria cubanos.

Cinco “coiotes”, ou contrabandistas de pessoas, foram presos durante um esforço de aplicação da lei na segunda-feira, que surgiu como parte da Operação Rotas Seguras, uma iniciativa lançada em dezembro de 2024 para garantir a segurança rodoviária.

Três conjuntos separados de capturas foram feitos. Um deles envolvia um comboio de três veículos que tentava fugir da Polícia Federal após receber sinal para parar. Dentro do veículo estavam 39 cubanos, incluindo crianças, “transportados em condições precárias”.

“Muitos relataram não ter comido durante pelo menos dois dias”, disse o Ministério da Justiça.

Num outro incidente, a polícia encontrou oito imigrantes cubanos depois de apreender um veículo que atravessava ilegalmente a fronteira. Num terceiro, as autoridades seguiram um veículo suspeito de contrabando de seres humanos até uma residência onde foram encontrados 61 cubanos.

Todos os 108 cubanos recuperados na segunda-feira foram transferidos para policiais para “ajuste migratório e posterior encaminhamento para redes de assistência social”, segundo o Ministério da Segurança do Brasil.

No seu relatório anual sobre migração para 2025, o ministério descreveu a imigração cubana para o Brasil como estável ou mesmo em declínio ao longo da última década, até aos primeiros anos da pandemia da COVID-19.

“O fluxo de migração cubana para o Brasil nunca foi tão grande”, afirma o relatório. Mas então, a partir de 2022, a imigração cubana para o Brasil começou a “recuperar fortemente”.

“É importante notar que, em 2025, os pedidos de refugiados apresentados por cubanos superam os apresentados por venezuelanos – não só pela diminuição dos pedidos do segundo grupo mas, sobretudo, pelo aumento acentuado dos casos apresentados por cubanos, ultrapassando os 40 mil pedidos”, explica o relatório.

O relatório também alertou que a tendência ascendente poderia continuar, dado o conflito entre os EUA e Cuba.

Desde que regressou para um segundo mandato, o Presidente dos EUA, Donald Trump, assumiu um papel activo na política latino-americana e sugeriu que poderia usar a força militar para iniciar uma mudança de regime em Cuba.

“Se as tensões geopolíticas entre Cuba e os Estados Unidos aumentarem, os fluxos migratórios para o Brasil poderão aumentar”, concluiu o relatório.

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