O governo brasileiro anunciou uma nova parceria de segurança com os Estados Unidos para combater o crime organizado, bem como o tráfico ilegal de drogas e armas.
Em uma postagem nas redes sociais na sexta-feira, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, classificou o acordo como um sucesso.
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“O Brasil e os Estados Unidos estabeleceram hoje uma colaboração sem precedentes entre a Receita Federal do Brasil e a Alfândega dos EUA”, escreveu ele nas redes sociais.
“Intensificaremos a luta contra o tráfico internacional de armas e drogas através de ações concretas”.
Algumas dessas “ações concretas”, disse ele, incluiriam “compartilhamento de dados em tempo real, rastreamento rigoroso de carga e operações conjuntas para interceptar remessas ilegais”.
Separadamente, um comunicado da Receita Federal do Brasil disse que o acordo resultaria em um “fluxo contínuo de informações das autoridades dos EUA para seus homólogos brasileiros”.
A operação, segundo o governo Lula, se chamará programa DESARMA.
O ministro das Finanças do Brasil, Dario Durigan, saudou a cooperação com a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) como um “passo importante no fortalecimento da cooperação internacional” contra o crime.
“Esta iniciativa integrará inteligência e operações conjuntas para interceptar o contrabando de armas e narcóticos, fortalecendo assim a segurança e as ações coordenadas entre os dois países”, disse ele nas redes sociais.
O acordo de sexta-feira é a mais recente colaboração assinada entre a administração do presidente dos EUA, Donald Trump, e governos da América Latina.
Trump empreendeu uma campanha para reprimir o crime organizado em todo o Hemisfério Ocidental e contactou governos regionais de direita para se juntarem à sua coligação “Escudo Americano”.
Mas líderes de esquerda como Lula estiveram ausentes da cimeira de Março que lançou o “Escudo Americano”.
No entanto, a administração Trump pressionou governos como Lula a tomar medidas mais “agressivas” contra o crime, inclusive através de destacamentos militares.
Por sua vez, Lula tem procurado limitar o fluxo ilegal de armas dos EUA através das suas fronteiras.
Ao anunciar a iniciativa DESARMA, o governo brasileiro revelou que, só nos últimos 12 meses, apreendeu 1.168 armas e peças de armas importadas ilegalmente, principalmente enviadas do estado norte-americano da Flórida.
As armas acabaram em grande parte nas mãos de redes criminosas, segundo o governo.
Uma abordagem diferente
Mas Trump e Lula entraram em conflito nos últimos meses sobre a melhor forma de combater o crime nas Américas.
Desde que regressou ao cargo em Janeiro de 2025, Trump adoptou uma abordagem linha-dura, rotulando vários grupos e cartéis latino-americanos como “organizações terroristas estrangeiras”, uma designação tradicionalmente reservada a grupos armados com objectivos políticos, como a Al-Qaeda.
Ele usou esse rótulo como justificativa para realizar ataques mortais em nome da segurança nacional.
Desde 2 de Setembro, os EUA levaram a cabo pelo menos 47 ataques mortais a navios marítimos que viajavam no Mar das Caraíbas e no leste do Oceano Pacífico, que peritos jurídicos condenaram como execuções extrajudiciais.
Pelo menos 147 pessoas morreram e as suas identidades nunca foram confirmadas publicamente.
A administração Trump também conduziu o que descreveu como uma “incursão conjunta militar e policial” na Venezuela, em 3 de janeiro, em nome do combate ao tráfico de drogas.
A operação culminou em dezenas de mortes, todas cubanas ou venezuelanas, bem como no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e da sua esposa Cilia Flores. Eles aguardam agora julgamento em Nova York sob a acusação de tráfico de drogas e posse de armas.
A administração Trump teria argumentado que está em “conflito armado” com redes criminosas latino-americanas, que considera “combatentes ilegais”.
Embora o governo Lula tenha tomado medidas contra essas redes no Brasil, instou a administração Trump a não usar o rótulo de “terrorista estrangeiro” para entidades dentro das suas fronteiras.
Nos últimos meses, por exemplo, surgiram relatos de que Trump está a considerar designar duas redes criminosas brasileiras: o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
Mas numa entrevista concedida em 25 de março à organização de notícias brasileira G1, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, disse que transmitiu sua oposição diretamente ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
“Falei por telefone com o secretário Marco Rubio e disse a ele que o governo brasileiro se opõe a essa classificação”, disse Vieira.
O próprio Lula apelou repetidamente à administração Trump para que respeitasse a soberania dos países latino-americanos, incluindo o seu.
“O Brasil é um país soberano com instituições independentes e não aceitará qualquer forma de orientação”, escreveu Lula no ano passado, depois de Trump ter ameaçado o país com altas tarifas, em protesto contra o impeachment do ex-líder de extrema direita Jair Bolsonaro.
Espera-se que Lula viaje a Washington, DC, nos próximos meses para visitar Trump.




