Em cerimônia realizada esta tarde no Salão San Martin do Parlamento de Buenos Aires, o médico e pesquisador Alberto C. Taquini (h) foi destacado como Pessoa Notável da Cidade de Buenos Aires no campo da educação. A iniciativa promovida pela deputada Marina Kienast reconheceu a história de mais de seis décadas dedicadas à ciência, às universidades e ao desenho de políticas educacionais.
Nascido em Buenos Aires em 1935, Taquini formou-se médico pela Universidade de Buenos Aires em 1959. Sua carreira científica começou antes da formatura, quando ingressou no Instituto de Pesquisas Cardiológicas da Faculdade de Medicina da UBA. Mais tarde, ele fez estudos adicionais nos Estados Unidos e na Bélgica. Em 1962 ingressou no Conicet como pesquisador, integrando a primeira geração de cientistas da instituição.
Foi professor de Fisiologia Humana na UBA, reitor da Faculdade de Farmácia e Bioquímica, presidente do Comitê de Pesquisa Científica de Buenos Aires e coordenador do Gabinete da Secretaria Nacional de Estado de Ciência e Tecnologia. Recebeu doutorados honorários das universidades nacionais de Córdoba, San Luis e Río Cuarto, e atualmente é diretor geral do Day School Belgrano.
O seu nome foi particularmente associado ao chamado Plano Taquini apresentado em 1968, que incentivou a criação de novas universidades nacionais fora dos grandes centros urbanos. A proposta procurou adaptar o ensino superior às necessidades de desenvolvimento do país e levou a uma profunda expansão do sistema universitário argentino na década de 1970.
Ao apresentar a distinção, Kienasta destacou não só as contribuições académicas do homenageado, mas também o seu persistente interesse pelos desafios atuais. “Ele está sempre olhando para frente. Além da carreira, ele estuda, pensa no futuro e compartilha suas ideias com paixão e comprometimento”, disse. Da mesma forma, o deputado destacou a sua “generosidade intelectual”, a sua vontade de dialogar e a sua capacidade de continuar a promover iniciativas relacionadas com a transformação educativa e a integração das novas tecnologias no ensino.
Por sua vez, José María La Greca, secretário da Academia Nacional de Educação, inseriu Taquini na tradição científica argentina associada a figuras como Bernardo Houssay, Luis Federico Leloir e Eduardo Braun Menéndez. Ao relembrar sua trajetória como pesquisador, professor e gestor universitário, destacou especialmente o impacto que o Plano Taquini teve na expansão do sistema universitário. “Esta iniciativa foi muito mais do que um projecto educativo. Constituiu uma verdadeira estratégia de desenvolvimento territorial”, afirmou. Perto do final do seu discurso, ele lembrou que a Academia o nomeou recentemente presidente honorário e o descreveu como um “construtor de instituições”.
A dimensão mais pessoal do evento veio de sua neta, Agustina Blaquier, que optou por abrir mão do reconhecimento acadêmico para retratar o homem por trás da personalidade pública. Descreveu-se como um avô moderno, apaixonado pelas conversas familiares e que acredita na importância do diálogo intergeracional. “Meu avô é um homem que escolheu a vida continuamente, com alegria, curiosidade, entusiasmo e vontade de continuar aprendendo”, disse ela. Ele também destacou a capacidade de combinar “pensamento e ação, ciência e campo, fé e razão”.
Ao receber o prêmio, Taquini agradeceu o reconhecimento e compartilhou suas reflexões sobre tempo, família e educação. Aos 91 anos, recordou a influência dos pais e os valores transmitidos no ambiente familiar, que definiu como a “célula da sociedade” e o primeiro espaço onde se aprende a viver. Ele também lembrou como os avanços científicos e o aumento da expectativa de vida transformaram a experiência humana, mas sustentou que questões fundamentais sobre o significado da existência permanecem em aberto. Nesse contexto, defendeu o diálogo entre ciência e espiritualidade. No final, apelou a uma compreensão holística da formação das pessoas e disse que as grandes questões da vida permitem-nos “amar melhor, compreender melhor e agir melhor”.




