Enquanto os Estados Unidos e o Irão concluíam uma ronda de conversações indirectas em Doha, no Qatar, as conversações centraram-se principalmente no Estreito de Ormuz e nas exigências de Teerão para portagens através da hidrovia.
Embora não tenha havido nenhuma palavra de nenhum dos lados sobre se tinham sido feitos progressos no sentido de alcançar uma paz duradoura, os negociadores ainda estavam a discutir os termos que acordaram num memorando de entendimento de 14 pontos que assinaram no mês passado, informou a Axios.
Segundo fontes citadas pela Axios, as principais questões discutidas incluíram o Estreito, o congelamento de bens iranianos e um cessar-fogo no Líbano. Relativamente ao Estreito de Ormuz, os embaixadores dos EUA Steve Witkoff e Jared Kushner tentaram dizer ao lado iraniano que a sua exigência de um pedágio no estreito poderia minar todo o acordo EUA-Irão, o que poderia ser muito lucrativo para Teerão.
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“A mensagem americana ao Irã foi ‘pense grande’”, disse uma autoridade dos EUA, segundo a Axios. O responsável acrescentou que o petróleo e outros recursos que o Irão produziria ao vendê-los livremente – depois de os EUA levantarem as sanções aos seus produtos – “seriam 100 vezes mais valiosos para eles do que tentar usar tácticas de gangster e cobrar portagens”.
Por que a questão de Ormuz está novamente em foco?
No contexto da recente troca de tiros entre os Estados Unidos e o Irão, a situação em torno de Aban foi uma das principais questões que surgiram em Doha. O estabelecimento de uma nova rota marítima em Ormuz, perto da costa de Omã, colocou lenha na fogueira e levou a ataques iranianos a vários navios comerciais na semana passada.
Teerão tem, nos últimos meses, procurado publicamente estabelecer uma soberania conjunta sobre o estreito com Omã. O Irã disse que ambos os países administrarão o Estreito de Ormuz e solicitarão taxas de passagem após expirar o período de 60 dias do memorando de entendimento. O período de 60 dias começou imediatamente após a assinatura do memorando de entendimento no mês passado e visa chegar a um acordo final sobre o fim do conflito entre os Estados Unidos e o Irão. A última data para isso é 18 de agosto.
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Também houve divergências sobre a interpretação do memorando de entendimento, com os Estados Unidos afirmando que quaisquer novos acordos no estreito devem ser ratificados pelos países do Golfo, informou Axios. Entretanto, a posição de Teerão é que o estreito está nas suas águas territoriais, pelo que os países do Golfo podem apresentar as suas opiniões, mas o Irão tomará a decisão final.
“O Golfo está atualmente em discussões sobre como administrar o Estreito (depois que o memorando de entendimento expirar) e essas discussões estão em andamento”, disse a Axios, citando uma autoridade dos EUA.
A próxima reunião sobre as negociações acontecerá após o cortejo fúnebre do falecido líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, que será enterrado em 9 de julho, disse o Ministério das Relações Exteriores do Catar.




