A operação militar dos EUA e de Israel contra o Irão, que matou o líder supremo do Irão, o aiatolá Ali Khamenei, entrou no seu 97º dia na quinta-feira, 4 de junho, sem um caminho claro para a paz.
O que começou como uma campanha que o presidente dos EUA, Donald Trump, inicialmente descreveu como uma busca de “mudança de regime” no Irão, tornou-se parte de uma crise regional mais ampla. O conflito suscitou receios de um choque energético prolongado, à medida que o comércio global através do Estreito de Ormuz é perturbado e a instabilidade no Golfo permanece. Aqui está uma olhada em como as coisas estão enquanto a batalha se aproxima da marca dos 100 dias.
1. As negociações ficarão travadas
Já se passou quase uma semana desde que os negociadores dos EUA e do Irã chegaram a um acordo provisório para estender o cessar-fogo por 60 dias e iniciar uma nova rodada de negociações sobre o programa nuclear do Irã, enquanto se aguarda a aprovação de Trump. Acompanhar Atualizações ao vivo da guerra EUA-Irã.
No entanto, o progresso estagnou depois de Trump ter pedido alterações não especificadas na proposta. Enquanto isso, as autoridades iranianas mostraram pouca disposição em aceitar os novos termos, levantando dúvidas sobre se as negociações poderão avançar.
A incerteza foi agravada pelos recentes intercâmbios militares entre os dois lados esta semana, levantando preocupações de que o cessar-fogo possa acabar.
Trump tentou acalmar esses temores na quarta-feira. “É uma parte diferente do mundo. Você sabe, eu digo que naquela parte do mundo, um cessar-fogo acontece quando você dispara de uma forma mais moderada”, disse a agência de notícias citando o presidente dos EUA no Salão Oval.
O impasse atual segue-se a meses de otimismo de Trump, que afirmou repetidamente que um acordo estava próximo depois de concordar com um cessar-fogo de 14 dias em 7 de abril.
Depois de relatos sugerirem que Teerã estava desistindo das negociações, Trump disse à CNBC que “não poderia se importar menos” se as negociações parassem e sugeriu que elas haviam se tornado “chatas”.
2. Pressão sobre os países do Golfo
O conflito forçou os membros do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) — Bahrein, Kuwait, Omã, Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos — a reavaliar pressupostos de longa data sobre a segurança e estabilidade regionais.
Desde que os ataques EUA-Israelenses ao Irão começaram em 28 de Fevereiro, os Estados do Golfo encontraram-se a equilibrar a ameaça de escalada militar com esforços para evitar o envolvimento directo na guerra.
Milhares de mísseis e drones atingiram infraestruturas em toda a região. Ao mesmo tempo, o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irão e pelos Estados Unidos afectou as rotas comerciais e minou a confiança económica.
O impacto é particularmente evidente na aviação e no turismo. Em Março, drones lançados pelo Irão atacaram o Aeroporto Internacional do Dubai, causando perturbações generalizadas. Mais de 30 mil voos foram cancelados no Médio Oriente, enquanto muitas companhias aéreas continuaram a operar dentro dos horários, refere o relatório da DW.
A crise também elevou os custos operacionais, com os preços do combustível de aviação quase duplicando há um ano devido à paralisação de Ormuz.
3. Infraestrutura energética atingida
Para além dos aeroportos e das redes de transporte, o conflito afectou o sector energético da região.
A Qatar Energy disse que os reparos no complexo industrial Ras Laffan, que foi atingido por um míssil balístico iraniano em março, podem levar até cinco anos.
O presidente-executivo da Qatar Energy, Saad al-Kabi, disse à BBC que a escala do desastre “fez a região retroceder de 10 a 20 anos”.
Os mercados de petróleo mostraram sinais de otimismo na quinta-feira, depois que relatos de um acordo de cessar-fogo entre Israel e o Líbano aumentaram as esperanças de que as rotas marítimas seriam eventualmente reabertas.
Os contratos futuros do petróleo Brent caíram US$ 2,82, ou 2,88 por cento, para US$ 94,99 o barril, enquanto o petróleo bruto West Texas Intermediate dos EUA caiu US$ 3,19, ou 3,32 por cento, para US$ 92,83. No entanto, os preços permaneceram elevados durante a maior parte da disputa de três meses, subindo repetidamente acima dos 100 dólares por barril.
4. A questão do Líbano
A situação no Líbano continua a ser outro grande obstáculo a um conflito regional mais amplo.
O chefe do Hezbollah, Naim Qassem, rejeitou a guerra condicional declarada pelos representantes libaneses e israelenses na quinta-feira, insistindo que qualquer acordo deve incluir um cessar-fogo abrangente e a retirada total de Israel do território libanês.
Os seus comentários foram feitos depois de os embaixadores libanês e israelita nos Estados Unidos terem apoiado uma proposta de cessar-fogo condicional que o presidente do Líbano chamou de “última oportunidade” para acabar com a guerra.
O Líbano envolveu-se directamente no conflito mais vasto quando o Hezbollah lançou ataques contra Israel após o assassinato de Khamenei, em 28 de Fevereiro.
Um cessar-fogo anterior anunciado em 17 de Abril foi repetidamente violado, com as forças israelitas a permanecerem dentro do território libanês e o Hezbollah a continuar os ataques transfronteiriços.
“O cessar-fogo deve ser abrangente… sem a liberdade de matar o inimigo israelense”, disse Qassem na quinta-feira.
Entretanto, o Irão tem defendido que qualquer acordo duradouro na região deve também incluir um cessar-fogo duradouro no Líbano, complicando ainda mais os esforços para pôr fim a um conflito que se aproxima agora da marca dos 100 dias.
(com informações de AP, AFP)






