O ministro da Suprema Corte, Alexander de Moraes, ordenou que o líder de 70 anos fosse preso no sábado por ser considerado um risco de fuga. Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão em setembro por tentar um golpe para permanecer presidente após perder as eleições de 2022.
“(Bolsonaro) disse que estava ‘delirando’ que houvesse alguma escuta telefônica na vigilância do tornozelo, então ele tentou revelá-lo”, disse a juíza assistente Luciana Sorrentino, de acordo com um documento da Suprema Corte publicado no domingo, logo após a reunião online com o ex-presidente.
Sorrentino acrescentou que Bolsonaro lhe disse que “não se lembrava de outra vez ter sofrido um acidente tão grande” e que isso pode ter sido causado por uma mudança na medicação na semana passada. Ele mais uma vez negou que pretendesse escapar.
Bolsonaro disse ao juiz que não dormiu bem e estava sentindo “uma certa loucura” que despertou sua curiosidade em abrir o monitor de tornozelo, segundo o documento.
“(Bolsonaro) estava em sua casa com a filha, o irmão mais velho e um assessor, e nenhum deles viu o que ele fazia com a tornozeleira eletrônica”, diz o documento. “Ele disse que começou a tocá-lo tarde da noite e parou por volta da meia-noite.” De Moraes recebeu informações de que o monitor de tornozelo do líder de extrema direita foi violado às 12h08 de sábado. Ele recebeu um mandado de prisão horas depois. Mais tarde, dois médicos afirmaram em comunicado que suspenderam temporariamente os medicamentos que supostamente afligiam o ex-presidente e afirmaram que ele estava fisicamente bem.
Um painel do Supremo Tribunal Federal do Brasil decidiu em setembro que Bolsonaro deu um golpe para manter a presidência depois de perder para Luiz Inácio Lula da Silva em 2022.
Na segunda-feira, o mesmo painel votará a ordem de prisão liminar.
A reunião de Bolsonaro com um juiz assistente no domingo foi uma formalidade para discutir a legalidade de sua prisão, mas também deu aos seus advogados outra chance de argumentar que ele deveria estar em prisão domiciliar por causa de sua saúde debilitada. De Moraes rejeitou pedidos semelhantes no passado.
De Moraes autorizou Bolsonaro a visitar a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que estava fora de Brasília enquanto agentes da Polícia Federal detinham seu marido. Ela não falou com os repórteres após a visita de duas horas.
Lula fez seu primeiro comentário sobre a prisão de seu antecessor na reunião do Grupo de Nações G20, na África do Sul. “O tribunal decidiu, foi decidido. Todo mundo sabe o que ele fez”, disse Lula aos jornalistas.
Do lado de fora da sede da Polícia Federal, alguns manifestantes pró-Bolsonaro seguravam faixas pedindo a destituição de Lula e de Moraes de seus cargos, enquanto críticos do ex-presidente comemoravam sua pena de prisão.
Outras cidades brasileiras registraram manifestações anti-Bolsonaro. Um gigante boneco de plástico do ex-presidente estava na principal artéria de São Paulo. A Parada do Orgulho LGBT do Rio de Janeiro também aplaudiu a prisão preventiva do líder de extrema direita.





