Durante milhares de anos, o permafrost do Ártico funcionou como um anticongelante natural. Ele contém material vegetal antigo que nunca se decompôs totalmente. No entanto, o aumento das temperaturas enfraquece gradualmente este sistema de armazenamento congelado. À medida que a Terra aquece, os micróbios podem decompor o material preso e libertar gases com efeito de estufa.
Um novo estudo mostra que estas paisagens do Ártico são mais sensíveis do que se pensava anteriormente. O reservatório de carbono está localizado em quase 39.000 milhas quadradas do Delta do Rio Ártico. Esta área representa apenas uma pequena parte do permafrost global, mas contém uma quantidade surpreendentemente grande de carbono armazenado. A preocupação não é que todo o carbono seja libertado imediatamente. Em vez disso, os cientistas temem uma reação em cadeia gradual. Condições mais quentes poderão acelerar o degelo, causando mais emissões de carbono e exercendo pressão sobre um planeta já em aquecimento.
Porque é que os deltas dos rios Árticos estão a tornar-se numa zona de alerta climático?
Os deltas dos rios Árticos são ambientes complexos onde interagem rios, oceanos, gelo e solos congelados. Essas áreas acumulam sedimentos e materiais orgânicos ao longo de milhares de anos. Devido às condições frias, grande parte deste material foi preservado intacto.
Os cientistas estudaram mais de 1.600 amostras de solo de 17 deltas do Ártico. O trabalho abrangeu áreas-chave como o sistema do rio Lena, na Sibéria, e o delta do rio Mackenzie, no Canadá. Estudos anteriores muitas vezes se concentraram em áreas maiores e compreenderam mal muitos deltas menores.
A nova estimativa descobriu que existem cerca de 4,2 mil milhões de toneladas de azoto armazenadas com carbono. Isto é importante porque o nitrogênio afeta o funcionamento das plantas, micróbios e ecossistemas. A liberação de nitrogênio quando o solo congelado descongela também pode alterar os processos naturais.
A bomba climática do Árctico é particularmente importante porque diversas pressões ocorrem em conjunto. O gelo marinho está a diminuir, o nível dos oceanos está a subir e a água quente está a chegar às zonas costeiras. Ao mesmo tempo, a estação de degelo está aumentando a cada ano.
Quanto carbono existe sob o Ártico congelado?
O tamanho desse estoque de carbono torna a descoberta importante. As regiões do delta do Ártico contêm apenas cerca de 1% do permafrost global. Mas podem conter cerca de 5% de todo o carbono armazenado nos solos permafrost.
Esta concentração torna estas paisagens um hotspot climático. O carbono ali armazenado é a antiga matéria orgânica de plantas e organismos acumulada durante um longo período de tempo. As condições de congelamento serviram como uma barreira natural contra a decomposição.
À medida que a temperatura aumenta, esta barreira enfraquece. Os micróbios tornam-se ativos novamente e começam a comer o material orgânico antigo. A sua atividade liberta dióxido de carbono e metano, dois gases que contribuem significativamente para o aquecimento global. A bomba climática do Ártico não significa que toda a reserva será libertada de uma só vez. A natureza funciona através de processos mais lentos. Parte do carbono pode ser sequestrada, enquanto outra parte pode ser liberada em rios, oceanos ou na atmosfera.
Ainda assim, a escala é difícil de ignorar. As atividades humanas adicionam atualmente bilhões de toneladas de carbono à atmosfera todos os anos. A Reserva do Delta do Ártico representa um depósito oculto muito maior que poderá influenciar os padrões climáticos futuros.
O derretimento do permafrost poderia mudar o futuro das mudanças climáticas?
O futuro do permafrost do Ártico depende da rapidez com que as temperaturas sobem. Os cientistas estão estudando áreas onde a terra derretida se mistura com rios, lagos e oceanos. Estas zonas de transição podem revelar a rapidez com que o carbono armazenado entra no ambiente.
Uma investigação recente sobre as lagoas costeiras do Ártico mostrou que os sistemas hídricos emergentes criados pelo derretimento do permafrost podem comportar-se de forma diferente dos ambientes mais antigos. Algumas áreas mais jovens podem emitir mais emissões de gases com efeito de estufa. Contudo, nem todas as regiões do Árctico têm a mesma resposta. As condições locais, o movimento da água, a composição do solo e a vegetação afetam os seus resultados. O desafio é entender onde ocorrerão as maiores mudanças.
A bomba-relógio climática do Árctico alerta que as alterações climáticas não se tratam apenas de desastres visíveis. É também sobre as lentas transformações que ocorrem sob paisagens aparentemente intocadas.
As novas descobertas fornecem aos pesquisadores uma base sólida para pesquisas futuras. Podem melhorar os modelos climáticos e identificar áreas que necessitam de uma monitorização mais rigorosa. Compreender estas reservas ocultas de carbono pode ajudar o mundo a preparar-se para as potenciais mudanças que se avizinham.
O Ártico congelado preservou a história da Terra durante milhares de anos. Agora, esse mesmo solo congelado pode tornar-se parte da história climática futura do planeta.
Perguntas frequentes:
Q1. O que são os 63,4 mil milhões de toneladas de bomba climática do Árctico relacionada com o carbono?
A bomba-relógio climática do Ártico refere-se à grande quantidade de carbono armazenada no permafrost congelado através dos deltas dos rios do Ártico. Os cientistas estimam que estas regiões contêm cerca de 63,4 mil milhões de toneladas de carbono que poderiam entrar na atmosfera se o calor acelerasse o derretimento e a actividade microbiana.
Q2. Porque é que o derretimento do permafrost do Árctico é a principal ameaça das alterações climáticas?
O derretimento do permafrost do Ártico expõe materiais orgânicos antigos congelados há milhares de anos. À medida que os micróbios o decompõem, libertam dióxido de carbono e metano, aumentando os níveis de gases com efeito de estufa e acelerando o aquecimento global.






