Atenção em segundos na Venezuela: como os smartphones Android se transformaram em uma rede de sistemas de alerta de terremotos

Um funcionário do Google confirmou ao HT que o sistema Android Earth Quick Alert da empresa detectou atividade sísmica precoce na Venezuela e enviou mensagens de alerta aos usuários segundos antes de um terremoto atingir o país sul-americano na noite de quarta-feira. As autoridades não especificaram quantos usuários receberam o alerta.

Pessoas ajudam a derrubar um muro durante esforços de resgate, após um terremoto em La Guerra, Venezuela (Reuters)

O sistema, integrado na maioria dos telefones Android, tem sido usado para detectar e alertar sobre terremotos em muitos países desde 2020. Uma análise de seu desempenho revisada por pares, financiada pelo Google e publicada na revista Science, descobriu que ele pode detectar e alertar terremotos melhor do que as redes sísmicas nacionais estabelecidas. Veja como funciona o sistema:

Como um terremoto é detectado?

O Android depende de dois métodos de detecção. Na Califórnia, Oregon e Washington, o Google fez parceria com o Shake Alert System dos EUA, que usa uma rede de 1.675 sensores terrestres para determinar a localização e o tamanho de um terremoto antes de enviar um sinal ao Android.

Em outros lugares, o sistema é crowdsourced. Todo smartphone possui um pequeno acelerômetro que pode detectar vibrações. Quando um telefone faz um movimento capaz de detectar um terremoto, ele envia um sinal, com uma localização estimada, para o servidor de identidade do Google.

O servidor coleta dados de vários telefones para confirmar se um terremoto está ocorrendo, transformando efetivamente milhões de dispositivos Android em todo o mundo em uma enorme rede de sismômetros improvisados.

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Dois tipos de avisos

Ambos os tipos de alertas são enviados apenas para terremotos de magnitude 4,5 ou superior. Um alerta ‘Abe Aware’ é emitido para usuários que esperam sentir desmaios ou tonturas. Este processo é como uma notificação normal e respeita o volume, ‘não perturbe’ e outras configurações de notificação.

Mas um alerta de ‘ação’ é reservado para usuários que esperam sentir tremores moderados a graves. Ele substitui as configurações do smartphone, ilumina a tela e reproduz sons altos para atrair a atenção. Tocar em qualquer alerta traz medidas de segurança e um mapa com uma estimativa inicial da localização e magnitude do terremoto.

Como os alertas viajam como sinais eletrônicos, eles podem chegar ao telefone antes que as ondas sísmicas lentas cheguem. Esses poucos segundos, diz o Google, seriam suficientes para alguém descer escadas, afastar-se de objetos pesados ​​ou abaixar-se, cobrir-se e empurrar antes que o deslizamento comece.

Citando o exemplo das Filipinas, que foram atingidas por um terremoto de magnitude 6,7 em novembro de 2023, o Google afirma que seu sistema enviou o primeiro alerta apenas 18,3 segundos após o início do terremoto. Pessoas próximas ao epicentro foram avisadas por 15 segundos. Os que estavam longe, que sentiram um calafrio moderado, acordaram com um minuto de aviso. No total, cerca de 2,5 milhões de pessoas foram avisadas.

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Onde, quando e utilidade

O Google lançou o sistema de afiliados nos Estados Unidos em 2020 por meio de uma parceria Shake Alert. Começou a emitir alertas com base na sua deteção crowdsourced em abril de 2021, começando na Nova Zelândia e na Grécia, e desde então expandiu o sistema para 98 países, incluindo a Índia.

Este sistema complementa e não substitui o sistema oficial de alerta do governo.

Um estudo sobre o sistema de alerta, intitulado ‘Detecção e alerta global de terremotos usando telefones Android’, foi financiado pelo Google e publicado na revista Science em 17 de julho de 2025.

Liderado por Richard M. Allen, coautores, incluindo pesquisadores do Google, o estudo revisou três anos de operação do sistema. Descobriu-se que o sistema detectou uma média de 312 terremotos por mês em todo o mundo, com magnitudes variando de 1,9 a 7,8.

Alertas foram enviados a 98 países para cerca de 60 terremotos de magnitude 4,5 ou superior em um mês, atingindo cerca de 18 milhões de telefones nesse período.

Entre os usuários pesquisados ​​que receberam um alerta, 85% relataram realmente sentir o terremoto. Destes, 36% foram avisados ​​antes do terremoto ser sentido, 28% durante e 23% já após o início do terremoto.

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