EUA designarão dois grupos brasileiros como organizações ‘terroristas’ | Notícias de Donald Trump

Os Estados Unidos anunciaram a sua intenção de designar dois grupos brasileiros como organizações “terroristas”, dando continuidade ao esforço do presidente Donald Trump para confundir a distinção entre atividades criminosas e atividades “terroristas”.

O secretário de Estado Marco Rubio disse na quinta-feira que a designação teria como alvo o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho, duas das maiores redes criminosas do Brasil.

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O rótulo “Organização Terrorista Estrangeira” entrará em vigor a partir de 5 de junho.

Entretanto, Rubio explicou que já foram atribuídos à categoria “Terrorista Global Especialmente Designado”, uma categoria semelhante que toma a sua autoridade da Lei Internacional de Poderes Económicos de Emergência (IEEPA).

Ambas as designações restringem o acesso do grupo aos activos dos EUA, embora o rótulo de “terrorista estrangeiro” seja considerado mais restritivo.

Rubio disse que a medida era necessária para garantir a segurança dos cidadãos norte-americanos.

“A administração Trump continuará a usar todas as ferramentas à sua disposição para proteger o nosso país e os nossos interesses de segurança nacional, mantendo as drogas ilegais fora das nossas ruas e interrompendo os fluxos de receitas que financiam narcoterroristas violentos”, disse Rubio num comunicado.

Desde que regressou à Casa Branca para um segundo mandato, Trump tem procurado a designação de “terrorista” para diversas redes criminosas latino-americanas.

O esforço foi criticado como um pretexto para expandir a influência militar dos EUA em todo o Hemisfério Ocidental, como parte da “Doutrina Donroe” de Trump, a sua versão da política expansionista do século XIX conhecida como Doutrina Monroe.

Mas a decisão de designar dois grupos criminosos brasileiros provavelmente enviará ondas de choque à política do país sul-americano, onde estão em curso eleições presidenciais acaloradas.

Relatos da mídia indicaram que o presidente de esquerda do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, tentou repetidamente impedir que o governo Trump usasse o termo “terrorista”.

A preocupação é que tal designação possa ser utilizada para punir qualquer grupo em contacto com o chamado grupo “terrorista”, incluindo instituições financeiras e vítimas de extorsão.

Lula também expressou preocupação com a crescente ameaça de intervenção estrangeira na América Latina, especialmente após a operação militar de 3 de janeiro, na qual os EUA sequestraram o presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

Lula concorre ao quarto mandato não consecutivo como presidente na corrida presidencial de outubro. Embora Lula seja um crítico de Trump, o seu principal adversário, o senador de direita Flavio Bolsonaro, tem laços estreitos com a administração dos EUA.

O anúncio de quinta-feira ocorreu depois que Trump se reuniu com Bolsonaro esta semana na Casa Branca. O senador disse posteriormente aos repórteres que havia solicitado ativamente a Trump que designasse o PCC e o Comando Vermelho como grupos “terroristas”.

Trump já interveio na política brasileira em nome da família Bolsonaro.

No ano passado, ele aumentou as tarifas sobre o Brasil para quase 50% como um ato de solidariedade ao pai de Bolsonaro, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Assim como Trump, Jair Bolsonaro foi acusado de tentar subverter a democracia após sua derrota nas eleições de 2022. Apesar dos apelos de Trump para que o caso contra o velho Bolsonaro fosse arquivado, o ex-presidente acabou sendo condenado a 27 anos de prisão.

O filho do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro, enfrenta agora julgamento por obstrução por buscar a intervenção de Trump em nome de seu pai.

A questão da segurança pública provavelmente será a maior na disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula, que segundo as pesquisas de opinião é acirrada.

Os recentes confrontos entre autoridades policiais e grupos criminosos como o Comando Vermelho também deverão pesar nas eleições presidenciais.

Em outubro passado, por exemplo, uma operação policial no Rio de Janeiro deixou mais de 120 mortos. Outra operação em março matou oito pessoas.

Os críticos das operações policiais argumentam que décadas de confronto militar alimentaram a violência e os abusos de direitos.

“O confronto armado com jovens traficantes de drogas da periferia é ineficaz e não aborda a complexidade da lavagem de dinheiro e suas ligações com o crime financeiro”, disse Luis Flavio Sapori, sociólogo e especialista em segurança pública da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, à agência de notícias Associated Press.

Para responder às preocupações de segurança pública, Lula lançou uma iniciativa de 2 mil milhões de dólares em Março para atacar as fundações financeiras de redes criminosas como o PCC e o Comando Vermelho.

O dinheiro também deverá ser usado para desmantelar o contrabando de armas, melhorar o sistema penitenciário e investir em investigações de homicídios.

Após a designação de “terrorista” na quinta-feira, Celso Amorim, assessor de Lula para relações exteriores, alertou que os EUA não deveriam usar o rótulo para violar a soberania do Brasil.

“O crime organizado é um crime que deve ser combatido. A cooperação internacional é bem-vinda, especialmente quando se trata de lavagem de dinheiro e tráfico de armas”, afirmou Amorim.

Mas, acrescentou, qualquer “pretexto para intervenção” seria “inaceitável”.

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