Exame de sangue para depressão: um simples exame de sangue pode prever a depressão antes que os sintomas apareçam? Aqui os cientistas confirmam

Um novo estudo dá aos pesquisadores esperança de que algum dia a depressão possa ser diagnosticada apenas por meio de questionários e entrevistas. Os pesquisadores acreditam que um simples exame de sangue pode ajudar a identificar marcadores biológicos associados à depressão, principalmente sintomas emocionais e cognitivos.

O estudo analisou como certas células imunológicas envelhecem dentro do corpo e encontrou ligações surpreendentes entre o envelhecimento imunológico acelerado e sintomas relacionados ao humor, como desesperança, perda de prazer e exaustão emocional. As descobertas, publicadas no The Journals of Gerontology, Série A: Ciências Biológicas e Ciências Médicas, aproximam os cuidados de saúde mental de um futuro onde a depressão será diagnosticada mais cedo e tratada com mais precisão, relata o Science Daily.

Durante décadas, o diagnóstico de depressão muitas vezes baseou-se no que os pacientes descreveram durante os seus encontros. Os médicos podem usar questionários ou exames, mas ainda não existe um teste biológico validado que possa detectar a depressão precocemente. Isso pode finalmente mudar, relata o Science Daily.

Pesquisadores da Faculdade de Enfermagem Rory Meyers da Universidade de Nova York investigaram se mudanças no sistema imunológico poderiam revelar padrões biológicos ocultos associados à depressão.

Como um exame de sangue pode detectar a depressão?

A pesquisa se concentra no que é chamado de envelhecimento biológico. Os cientistas dizem que a idade biológica nem sempre corresponde à idade real de uma pessoa porque as células e os tecidos envelhecem mais rápido ou mais devagar, dependendo da saúde, do estresse, da inflamação e da doença.

Para medir esse processo, os pesquisadores usaram “relógios epigenéticos” projetados para rastrear mudanças químicas no DNA ao longo do tempo.
O estudo incluiu 440 mulheres, incluindo 261 vivendo com VIH e 179 sem VIH, que participaram no Estudo Interagências sobre VIH.

Os pesquisadores avaliaram os sintomas depressivos usando a Escala de Depressão do Centro de Estudos Epidemiológicos, comumente conhecida como CES-D. O questionário mede sintomas físicos e sintomas emocionais ou cognitivos relacionados à depressão.

As amostras de sangue foram então analisadas para estudar padrões de envelhecimento nas células do sistema imunológico, particularmente monócitos, um tipo de glóbulo branco envolvido na inflamação e nas respostas imunológicas, de acordo com um relatório do Science Daily.

Por que as células imunológicas são importantes?

Os pesquisadores descobriram que o rápido envelhecimento dos monócitos está intimamente relacionado aos sintomas da depressão não somática.

Estes incluem desesperança, vazio emocional, anedonia e dificuldade em desfrutar ou sentir-se interessado em atividades normais.

“Isto é particularmente interessante porque as pessoas com VIH apresentam frequentemente sintomas físicos, como a fadiga, que não são causados ​​por um diagnóstico de depressão, mas pela sua doença crónica. Mas descobrimos que estas medidas estavam associadas a sintomas cognitivos e de humor, e não a sintomas somáticos”, disse a autora do estudo, Nicole Beaulieu Pérez, professora assistente do Rory Meyers College da NYU.

Os pesquisadores também observaram que a depressão geralmente varia de pessoa para pessoa, dificultando o diagnóstico, informou o Science Daily.

“A depressão não é uma doença que serve para todos – pode parecer muito diferente de pessoa para pessoa, por isso é importante considerar a variedade de apresentações, não apenas o sintoma clínico”, explicou Perez. “Nossa pesquisa revela os fundamentos biológicos únicos da saúde mental que são muitas vezes obscurecidos por categorias diagnósticas”.

Curiosamente, um relógio epigenético mais amplo que mede múltiplos tipos de células não mostrou a mesma associação com sintomas depressivos.

Isso poderia mudar os cuidados de saúde mental?

Os pesquisadores acreditam que as descobertas podem levar a abordagens mais precoces e personalizadas ao tratamento de saúde mental.

A depressão é comum entre pessoas com distúrbios imunológicos, como o HIV, onde a inflamação crónica, o estigma e o stress persistente na saúde podem exacerbar o stress emocional.

“Para as mulheres que vivem com VIH e que podem estar a sofrer de depressão, queremos compreender melhor o que se passa e detectá-la precocemente para que não afecte a sua saúde geral”, disse Perez.

Os pesquisadores enfatizaram que são necessárias mais pesquisas para tornar os exames de sangue parte da triagem de rotina para depressão.

No entanto, o estudo abre a possibilidade de combinar avaliações psicológicas tradicionais com testes biológicos em futuros cuidados de saúde mental.

“Penso no ditado ‘o que é medido circula’. Uma meta aspiracional em saúde mental seria combinar a experiência subjetiva com testes biológicos objetivos”, disse Perez.

Ele acrescentou: “Nossas descobertas nos aproximam um passo do objetivo de cuidados de saúde mental de precisão, especialmente para populações de alto risco, fornecendo uma base biológica para orientar futuros diagnósticos e tratamentos”.

Os pesquisadores dizem que o estudo é mais um passo para compreender a depressão não como um estado emocional, mas como uma condição biológica ligada ao envelhecimento, à inflamação e à saúde imunológica.

Perguntas frequentes

O que o exame de sangue mediu?
Ele acompanhou o envelhecimento biológico das células do sistema imunológico chamadas monócitos.

O estudo se concentra apenas nos sintomas físicos?

Não, os pesquisadores encontraram uma associação mais forte com sintomas emocionais e cognitivos.

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