eu ouvi ou li. Ou vi em um vídeo do Instagram. Ou num post do X. Nestes tempos vertiginosos em que somos bombardeados com informações de todos os lados, já não sei onde me deparei com esta afirmação: “Todas as ruas de Buenos Aires com nomes de vice-reis passam pela Avenida Cabildo”. Achei uma afirmação muito bonita. Ele teve alguns problemas, no entanto. É verdade que na ideologia histórica fomos ensinados desde a escola primária, o Vice-Rei – quando éramos colónia, o representante do Rei de Espanha – e o Cabildo. Mas, a rigor, esta última organização era responsável pelos assuntos da cidade, enquanto o vice-rei era responsável pelos assuntos políticos, militares e económicos do vice-reinado de Ribera. Tinha assento na fortaleza, em frente ao Cabildo, do outro lado da praça.
A outra objeção a essa frase era um pouco mais séria. Acontece que não é verdade que todas as ruas dos Vice-Reis chegam ao Cabildo. Das dez artérias de Buenos Aires que essas autoridades espanholas lembram, apenas quatro tocam esta avenida: Loreto, Del PinoSra. Olaguer e Feliú (não são dois, só existe um). Outros seis estão espalhados em outros bairros da cidade: Cevallos, AvilésCisneros, As linhasDe Melo e o ápice.
Agora, desmistificada aquela frase, tendo em mente o vice-rei, surgiu uma pergunta em minha mente: por que aparecem na cartografia de Buenos Aires as figuras que representam os tempos em que não éramos independentes? Não encarnam, até certo ponto, as correntes que conseguimos quebrar depois de 1810? Encontrei a resposta em um decreto de 1893. Explicou a razão dos novos nomes dados às inúmeras ruas que teciam a trama de uma cidade em crescimento, principalmente devido à anexação dos partidos até então. Belgrano sim São José das Flores.
Segundo o texto da norma, “a história colonial deu-nos muitos e muito bons elementos”. Foi então que se justificaram as “figuras da descoberta e da conquista”, bem como o aparecimento de “progressores e criadores” nos planos. E dos vice-reis, “bem todo mundo fez algo de bome alguns deles eram funcionários admiráveis.
Já completamente viciado nesta saga de vice-reis, encontrei um detalhe bastante revelador José Maria Taggino e isso tem a ver com os apelidos que esses líderes receberam. Eles o chamavam de “vice-rei dos três setes”. CevallosPorque derrotou os portugueses em 1777. o ápiceApós a instalação da primeira iluminação pública, ele se tornou o “vice-rei das luzes”. O marquês de Loreto, de cabelos ruivos, era o “bicho do Colorado”. Olaguer e Feliú“nos bastidores”, pois não perdia uma apresentação teatral. E Cisneros Ele era “surdo”, porque perdeu parte da audição na Batalha de Trafalgar.
Os dois vice-reis desaparecidos nas ruas de Buenos Aires tinham apelidos que explicavam a sua ausência. Em primeiro lugar, para Sobremonte Chamaram-no de “Tras el Monte” porque fugiu para Córdoba com dinheiro público durante as invasões inglesas. de Eliot Ele foi “o vice-rei que não se tornou vice-rei” porque assumiu o cargo após a Revolução de Maio e tentou governar a partir de Montevidéu.
Para encerrar esta história, uma última informação. O vice-rei Del Pino viveu seus últimos anos na atual esquina do Peru e Belgrano, onde hoje se encontra o imponente edifício. Otto Wulff. Após a sua morte, a sua residência passou a ser a “casa da velha vice-rainha”, pois a sua viúva continuou a viver lá. Com esta mulher e a primeira esposa, o funcionário público teve um total de 17 filhos. Uma de suas filhas, Juana, casou-se com um homem de 19 anos, de Buenos Aires. seu nome Bernardino Rivadavia. Assim, voltando ao avião em Buenos Aires, Del Pino Não só foi um dos poucos vice-reis a chegar ao Cabildo, como também foi inadvertidamente ligado ao homem que a nomeou como a rua mais longa do mundo, embora esta seja uma crença controversa.




