Publicado em 14 de abril de 2026
A casa de infância da falecida lenda do futebol argentino foi transformada num refeitório para os afetados pelas medidas de austeridade do presidente Javier Milei.
Na rua Amazor, 523, em Fiorito, subúrbio de Buenos Aires onde o “Garoto de Ouro” viveu na pobreza extrema enquanto crescia, os moradores agora podem receber assistência alimentar e vestuário.
O bairro de cerca de 50 mil moradores que vivem nessas modestas casas de tijolos apresenta muitos murais que comemoram a carreira icônica do número 10, que morreu em 2020 aos 60 anos.
Enquanto um julgamento por negligência criminal começou na terça-feira contra a equipe médica de sete membros responsável pelos cuidados finais de Maradona após uma cirurgia no cérebro, sua comunidade infantil continuou seu legado de compaixão.
Vizinhos visitam a “casa de Diego” carregando recipientes cheios por voluntários com ensopado de frango e outros alimentos preparados em um grande caldeirão no quintal, enquanto música de cumbia – gênero preferido de Maradona – toca ao fundo.
“Diego vai dizer que há muita fome e que precisamos ajudar, porque a necessidade é grande”, explicou Diego Gavilan, que beneficia do serviço de cozinha.
Gavilan, que recolhe papelão e sucata, começou a visitar cozinhas populares depois que Milei implementou reformas radicais de livre mercado após sua eleição em dezembro de 2023.
“Você não consegue sobreviver”, disse Gavilan.
Embora as estatísticas mostrem uma redução da pobreza sob Milei, principalmente devido à queda da inflação, as finanças familiares continuam em crise, de acordo com um relatório do Banco Central. O aumento das importações e a queda do consumo resultaram no encerramento de mais de 20.000 empresas.
Gavilan agradece a ajuda da antiga casa de Maradona: “Ele sofreu muito com a fome aqui quando criança. Para os moradores do bairro receber um prato de comida é especial”.
Esta instalação funciona sem locais para comer. Os voluntários preparam a comida em uma fogueira no quintal, distribuindo-a em sacolas para quem espera na entrada.
Maradona refere-se frequentemente às suas origens humildes numa área sem água corrente ou estradas pavimentadas. Sessenta e seis anos após o seu nascimento, as dificuldades ainda são visíveis nos rostos daqueles que fazem fila para comer.
“As pessoas morrerão de fome”, disse Maria Torres, uma das cozinheiras do centro, que acredita que Maradona aprovaria a reutilização da casa de caridade de sua infância.




