Ecos, sombras, imagens duplas. Poucos feitiços são tão antigos e tão eficazes. Talvez este seja o segredo desta imagem. O olhar do marionetista, humano, tão humano, o gesto do marionetista, régio como o olhar de um pequeno deus, o fundo da marionete que não confirma nem nega a falsidade, as sombras que repetem a cena. As marionetas fundem a nossa necessidade de mediação e a vontade de derramar na madeira talhada, nos restos de pincel, na delicadeza dos bordados, dos tecidos e da costura. O momento que aqui vemos, mais um numa longa história, corresponde a uma apresentação da companhia de marionetas chinesa Rugao no Festival Internacional Teatro a Mil, em Santiago, Chile. Achamos que precisamos de muitas coisas, mas às vezes basta uma voz que saiba falar, um artesão que saiba traduzir e um sonho que possa ir mais longe.






