A Venezuela emitiu uma nota desafiadora na quarta-feira, insistindo que suas exportações de petróleo não foram afetadas pelo anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, de um embargo potencialmente paralisante.
O anúncio de Trump na terça-feira marcou uma nova escalada em uma campanha de um mês de pressão militar e econômica sobre o presidente autoritário e esquerdista da Venezuela, Nicolás Maduro.
A Venezuela, que possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, recusou-se a ameaçar com mais danos e insistiu que continuaria com os negócios normalmente.
A petrolífera estatal Petroleos de Venezuela disse: “As operações de exportação de petróleo bruto e subprodutos continuam normalmente. Os petroleiros ligados às operações da PDVSA estão se movendo em total segurança”.
Trump disse na terça-feira que iria “BLOQUEAR UM BLOQUEIO COMPLETO E COMPLETO DE TODOS OS TANQUES DE PETRÓLEO SANCIONADOS PARA ENTRAR E FORA DA VENEZUELA”.
Referindo-se à forte presença militar dos EUA no Caribe, alertou que “a Venezuela está totalmente montada com a maior Armada da história da América do Sul”.
Os preços do petróleo subiram no início do pregão em Londres nesta quarta-feira com a notícia de um bloqueio ocorrido uma semana depois que as forças dos EUA apreenderam um petroleiro sancionado que acabara de deixar a Venezuela com mais de 1 milhão de barris de petróleo bruto.
Maduro conversou por telefone com o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, para discutir o que ele disse serem “ameaças crescentes” de Washington e suas “implicações para a paz regional”.
O porta-voz de Guterres disse que o chefe da ONU está tentando evitar “uma nova escalada”.
– “Não temos medo” –
A economia da Venezuela, que tem estado em recessão durante a última década sob o governo cada vez mais violento de Maduro, depende fortemente das exportações de petróleo.
A campanha de Trump parece ter como objetivo minar o apoio interno a Maduro, mas os militares da Venezuela disseram na quarta-feira que “não se intimidaram” com as ameaças.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, principal mercado petrolífero da Venezuela, defendeu Caracas dos “insultos” norte-americanos num telefonema com o seu homólogo venezuelano, Ivan Gui.
“A China opõe-se a qualquer agressão unilateral e apoia todos os países na proteção da sua soberania e dignidade nacional”, disse ele.
A apreensão do M/T Skipper na semana passada, num ataque violento envolvendo forças dos EUA a partir de um helicóptero, marcou uma mudança no ataque de Trump a Maduro.
Em Agosto, o presidente dos EUA ordenou o maior destacamento militar nas Caraíbas desde a invasão do Panamá pelos EUA em 1989, aparentemente para combater o tráfico de droga, mas visando especificamente a Venezuela, um centro para o comércio global de drogas.
Desde então, os ataques dos EUA a navios suspeitos de tráfico de droga nas Caraíbas e no Pacífico oriental mataram pelo menos 95 pessoas.
Caracas acredita que a operação antinarcóticos é um disfarce para a derrubada de Maduro e o roubo do petróleo venezuelano.
O aumento das tensões alimentou temores de uma possível intervenção dos EUA para derrubar Maduro.
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, entrou na briga na quarta-feira, declarando que as Nações Unidas “não tinham lugar” e pedindo ações para “parar o derramamento de sangue”.
– Vida útil do óleo –
O bloqueio dos EUA ameaça causar sérios danos à abalada economia da Venezuela.
Desde 2019, a Venezuela está sob o embargo petrolífero dos EUA, o que obrigou o país a vender os seus produtos no mercado negro a preços muito baixos, principalmente aos países asiáticos.
O país produz um milhão de barris de petróleo por dia, abaixo dos mais de três milhões no início dos anos 2000.
Analistas da Capital Economics previram que o bloqueio “cortaria uma tábua de salvação fundamental da economia da Venezuela” no curto prazo.
“O impacto a médio prazo dependerá em grande parte de como se desenvolvem as tensões com os EUA e de quais são os objetivos da administração dos EUA na Venezuela.”
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Esta matéria foi criada a partir do feed automático da agência de notícias sem nenhuma alteração no texto.







