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O Goldman Sachs prevê um boom de lucros em 2026 – e diz que o mercado não está pronto.
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Os grandes vencedores podem ser ações cíclicas enfadonhas, e não titãs da IA.
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A IA domina as manchetes, mas o seu impacto nos lucros é minúsculo em comparação com o macro boom que se aproxima.
Os investidores estão fixados na inteligência artificial e os gigantes tecnológicos de grande capitalização estão a impulsionar grande parte dos ganhos do mercado de ações. Mas o Goldman Sachs afirma que as maiores oportunidades no próximo ano poderão vir de outros lugares.
“Ao nível setorial, esperamos que a aceleração do crescimento económico em 2026 impulsione o crescimento do lucro por ação principalmente em setores cíclicos, incluindo industriais, materiais e bens de consumo discricionários”, escreveram analistas do Goldman num relatório na quinta-feira. Os analistas observaram que a perspectiva mais ampla da empresa também incorpora a redução das pressões sobre as taxas.
Em linha com esta visão, os analistas esperam que o lucro por ação das empresas imobiliárias aumente de 5% este ano para 15% no próximo ano, enquanto as ações de consumo discricionário deverão subir de 3% para 7%.
As empresas industriais também deverão recuperar significativamente, com o crescimento esperado do lucro por ação acelerando de 4% para 15%.
Em contraste, Goldman prevê que o crescimento do lucro por ação das empresas de tecnologia da informação será moderado, de 26% em 2025 para 24% em 2026.
Sinais desta mudança já estão aparecendo na ação do mercado.
Num relatório separado divulgado na sexta-feira, o Goldman observou que as ações cíclicas subiram, superando nomes defensivos durante 14 pregões até quinta-feira – a sequência mais longa em mais de 15 anos.
Mesmo assim, os analistas do Goldman dizem que o forte desempenho recente ainda não é suficiente para reflectir as perspectivas de crescimento mais optimistas da empresa. O posicionamento do mercado dentro das ações indica que os investidores esperam um crescimento próximo de 2% – bem abaixo da previsão do Goldman de 2,5%.
“Apesar da recuperação cíclica e do otimismo económico generalizado nas conversas com os nossos clientes, o mercado não parece estar a avaliar totalmente a aceleração económica esperada em 2026”, escreveram os analistas.
Esta aceleração é central para o conceito do Goldman. Os analistas do banco escreveram que esperam que o crescimento geral dos EUA se acelere no próximo ano, ajudando a impulsionar um aumento de 12 por cento no lucro por ação do S&P 500.
Os últimos relatórios do Goldman surgem num momento em que os investidores continuam a questionar-se se o mercado de ações não estará a entrar numa bolha especulativa alimentada pelo entusiasmo da IA.
O S&P 500 subiu 16% este ano, com as ações de tecnologia megacap “Magnificent Seven” representando agora cerca de um terço do peso do índice.
As ações da fabricante de chips de inteligência artificial Nvidia – a empresa de capital aberto mais cara do mundo – subiram 30% somente neste ano.







