MANCHESTER, Inglaterra (Reuters) – A ministra das Finanças britânica, Rachel Reeves, pintou um quadro sombrio da economia neste mês, ao se ater a previsões que mostravam notícias melhores do que o esperado para as finanças públicas, mostrou uma carta do órgão fiscalizador nesta sexta-feira.
Reeves pareceu quebrar uma promessa política e lançar as bases para o aumento das taxas de imposto sobre o rendimento num discurso já em 4 de Novembro, citando um desempenho de produtividade “mais fraco do que se pensava anteriormente”.
Numa carta publicada na sexta-feira, o chefe do Gabinete de Responsabilidade Orçamental disse que também forneceu ao governo previsões que mostram as suas quedas de produtividade devido ao aumento dos salários reais e à inflação.
A carta acrescentou questões sobre as comunicações do governo antes do orçamento de quarta-feira. Novembro assistiu a grandes mudanças no mercado de obrigações do governo britânico, à medida que os investidores se debatiam com uma mudança de tom por parte do governo relativamente à perspectiva de um aumento de impostos.
O presidente do OBR, Richard Hughes, disse na carta que o governo previu um declínio de 0,3 ponto percentual no crescimento da produtividade subjacente nas previsões enviadas ao Tesouro em setembro e outubro.
Mas outros aspectos da previsão resistiram a uma “rebaixamento” da produtividade que não ficou evidente no discurso de Reeves.
“A nossa previsão da primeira ronda também foi uma previsão completa e, portanto, incluiu aumentos nos salários reais e na inflação que compensaram o impacto dos declínios da produtividade nos rendimentos”, escreveu Hughes.
Em resposta, o Ministério das Finanças disse que não se aprofundaria nos processos do OBR nem especularia sobre a forma como este se relaciona com a tomada de decisões internas em matéria de orçamentação.
“Levamos a segurança orçamental muito a sério e acreditamos que é importante reservar um espaço privado para a política do Tesouro-OBR e discussões sobre previsões, por isso saudamos a confirmação do OBR de que isto não se tornará uma prática normal”, afirmou, numa carta ao OBR sobre o processo.
Um porta-voz do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, disse não aceitar que o governo tenha enganado o público ou o mercado.
“Fizemos a escolha certa e necessária para construir um país mais forte e mais justo, onde os padrões de vida aumentem, onde a pobreza infantil diminua e os serviços públicos sejam renovados em todos os cantos da Grã-Bretanha”, disse ele.
Na quinta-feira, Hughes disse que renunciaria se Reeves e os legisladores assim o exigissem, depois que a divulgação antecipada dos detalhes do orçamento pelo OBR gerou volatilidade no mercado e raiva no parlamento.
(Reportagem de Andy Bruce; Edição de Aidan Lewis)



