China não importou soja dos EUA pelo segundo mês, com chegadas ao Brasil aumentando 29%

PEQUIM (Reuters) – A China não importou soja dos Estados Unidos pelo segundo mês consecutivo em outubro, mesmo com as importações totais subindo para um recorde nas compras da América do Sul, enquanto os compradores procuravam “evitar interrupções no fornecimento” em meio às tensões comerciais com Washington.

Dados da Administração Geral de Alfândegas da China mostraram na quinta-feira que as importações de soja dos EUA caíram para zero em outubro, de 541.434 toneladas métricas um ano antes.

O declínio ocorre depois de a China ter imposto tarifas mais elevadas sobre a soja dos EUA no início do ano e ter reduzido a oferta norte-americana de grãos pré-colhidos ou de colheita antiga. A China é o maior importador mundial de soja.

Em contraste, as chegadas do Brasil aumentaram 28,8% em termos anuais, para 7,12 milhões de toneladas no mês passado, representando 75,1% do total das importações de oleaginosas da China, mostraram dados alfandegários, enquanto as remessas da Argentina aumentaram 15,4%, para 1,57 milhões de toneladas, um quarto do total.

As importações totais de soja da China em outubro foram de 9,48 milhões de toneladas métricas, um recorde para o mês.

De janeiro a outubro, a China importou 70,81 milhões de toneladas do Brasil, um aumento de 4,5% em relação ao ano anterior, e 4,46 milhões de toneladas da Argentina, um aumento de 23,9% em relação ao ano anterior.

Apesar do recente declínio nas chegadas, as compras anteriores em 2025 elevaram as importações acumuladas no ano de grãos americanos para 16,82 milhões de toneladas, um aumento de 11,5%, mostraram os dados.

Depois de evitar a soja dos EUA durante meses durante um tenso impasse comercial entre Washington e Pequim, a China aumentou as compras após negociações no final de outubro entre os líderes dos dois países na Coreia do Sul.

A compradora estatal de grãos COFCO liderou as compras, encomendando mais de 1 milhão de toneladas de soja dos EUA desde o final de outubro, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA.

Os mercados procuram agora grandes compras adicionais da China para cumprir a meta de final de ano de 12 milhões de toneladas anunciada pela Casa Branca. A China ainda não confirmou este número.

(Reportagem de Ella Cao e Louise Jackson; Edição de Sonali Paul)

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