Durante anos, a Ilha das Focas, na África do Sul, tem sido um destino obrigatório para os amantes da vida selvagem marinha que esperam testemunhar o poder deslumbrante dos grandes tubarões brancos saltando do mar em busca de focas.
Mas, como detalha a National Geographic, numa reviravolta perturbadora, os grandes tubarões brancos desapareceram – e a sua ausência está a enviar ondas de choque por ecossistemas marinhos inteiros.
O que está acontecendo?
Um novo estudo da Shark Research Foundation, baseado em mais de 20 anos de dados e publicado na Frontiers in Marine Science, revelou o quanto o ecossistema em torno da Ilha Seal, na África do Sul, mudou desde que os grandes tubarões brancos começaram a desaparecer. O declínio começou por volta de 2010, mas em 2018 o icônico predador havia desaparecido completamente da região.
“Vimos algo que nunca esperávamos”, disse Neil Hammerschlag, ecologista marinho e diretor executivo da Shark Research Foundation, coautor do estudo.
Segundo os pesquisadores, o que aconteceu a seguir foi uma cascata de mudanças inesperadas. Sem que os grandes brancos os mantenham sob controle, os tubarões de nariz largo – geralmente escondidos em florestas de algas próximas – entram na área, às vezes aparecendo em grupos de até 15. As focas-do-cabo, antes cautelosas e esquivas, são ousadas, praticando rafting em grupos flutuantes e até perseguindo iscas.
Essas mudanças marcaram mais do que apenas novos comportamentos estranhos. Sinalizaram uma mudança dramática na cadeia alimentar – uma mudança que os investigadores nunca esperaram testemunhar.
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Por que isso se trata?
Os grandes tubarões brancos desempenham um papel importante na manutenção do equilíbrio do oceano. Como predadores de ponta, eles mantêm as populações de outras espécies sob controle – removendo os doentes e fracos, mantendo assim uma cadeia alimentar saudável. Quando eles desaparecem, segue-se o efeito cascata.
Com menos tubarões para mantê-los sob controle, as focas e os sete guelros aumentaram – mas as suas próprias presas, incluindo anchovas, carapau do Cabo e outros pequenos tubarões, diminuíram. Este efeito dominó mostra o que os cientistas chamam de “cascata trófica” – quando a perda de um predador de topo causa mudanças dramáticas em todos os níveis da cadeia alimentar.
E embora a causa exacta do desaparecimento dos tubarões não seja clara, o dedo aponta para ameaças humanas e naturais. As baleias assassinas podem estar atacando-os, mas as redes contra tubarões – que matam 30 grandes tubarões brancos por ano – provavelmente contribuem para o declínio. Dado que estes tubarões se reproduzem lentamente e amadurecem tarde, mesmo pequenas perdas podem ter consequências graves.
O que está sendo feito a respeito?
Especialistas como Hammerschlag dizem que é hora de repensar a forma como protegemos as pessoas e os predadores. Uma grande mudança? Acabar com programas de redes desactualizados e adoptar medidas não letais de protecção das praias, tais como observadores de tubarões e dissuasores electrónicos.
A nível pessoal, apoiar grupos de conservação de tubarões e a reforma da política marinha é uma forma de ajudar. Você também pode consultar organizações como a Shark Research Foundation e seguir os esforços apoiados pela ciência para reduzir práticas de pesca prejudiciais.
Como diz Hammerschlag: “Não podemos parar as orcas. Mas podemos parar as redes.” E isso pode ajudar a restaurar o equilíbrio de um frágil mundo subaquático.
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