Uma expansão do Canal do Panamá em 2016 ajudou navios maiores a navegar pela hidrovia. Mas isso criou um efeito secundário não intencional: peixes de água salgada de ambos os oceanos estão agora a nadar no principal lago de água doce do canal, expulsando espécies nativas e ameaçando comunidades próximas, relata o New York Times.
O que está acontecendo?
Cientistas do Smithsonian Tropical Research Institute descobriram que os peixes do Atlântico e do Pacífico – incluindo robalos, valetes e pargos – aumentaram dramaticamente no Lago Gatun desde a expansão do canal. Essas espécies marinhas estão substituindo o tucunaré e a tilápia, dois peixes de água doce dos quais a população local depende para se alimentar.
As mudanças afetam pessoas como Felix Martinez Gonzalez, que pesca no Lago Gatún em sua canoa azul-clara.
“Não estou preocupado comigo mesmo; estou preocupado com a próxima geração”, disse ele. “Tudo isso os afeta.” Recentemente, ele pescou apenas 16 quilos de peixe em seis horas – metade da captura habitual antes da expansão.
O guia de pesca local Oswaldo Alberto Robles também vê impacto na pesca esportiva. “Imagine 20, 30, 40 barcos à procura de um peixe”, disse ele. “Continuaremos correndo mais rápido que eles.”
Por que isso tem a ver com ataques de peixes?
O problema vai além de menos peixe no jantar. Os cientistas temem que algumas espécies, como o venenoso peixe-leão das Caraíbas, possam nadar para o Oceano Pacífico e prejudicar as populações de peixes. O aumento dos níveis de sal no canal também ameaça metade da água potável do Panamá.
AGORA ASSISTA: Caracóis gigantes invadindo a cidade de Nova York?
Manuel Cheng Penalba, membro da legislatura panamenha, observou que ninguém discutiu o problema do sal antes da expansão do canal. Agora, as pessoas estão preocupadas com o acesso à água num dos países mais chuvosos do planeta.
O que está sendo feito em relação à invasão de peixes?
Os líderes panamenhos dizem que estão trabalhando em uma solução. O Ministro do Ambiente, Juan Carlos Navarro, usou um ditado espanhol para descrever a sua abordagem: “Visto-me devagar porque estou com pressa” – o que significa que trabalharão com urgência, mas com cuidado.
Os cientistas acreditam que adicionar barreiras como campos elétricos ou telas de bolhas de ar pode deter alguns peixes. Mas essas correções podem desacelerar o navio. E com espécies invasoras, o resultado é difícil de prever.
O Dr. Bela Galil, que estuda questões semelhantes no Canal de Suez, diz que o controlo de espécies indesejadas leva tempo. “Isso leva uma vida inteira”, disse ele. “Mas se você não começar, acabará com um mar condenado.”
��
Receba o boletim informativo gratuito do TCD para obter dicas fáceis para economizar mais, desperdiçar menos e fazer escolhas mais inteligentes – e ganhar até US$ 5.000 em atualizações limpas para o Rewards Club exclusivo do TCD.


