Tribunal queniano suspende acordo de saúde com os EUA para ouvir caso de privacidade de dados

NAIROBI (Reuters) – Um tribunal queniano suspendeu um acordo de financiamento de saúde que o governo assinou com os Estados Unidos em 4 de dezembro, no valor de mais de 1,6 bilhão de dólares, até ouvir um processo de privacidade de dados movido por um grupo de proteção ao consumidor.

O acordo assinado em Washington foi o primeiro do género no âmbito de uma reforma da ajuda externa dos EUA introduzida durante a administração do presidente Donald Trump.

Desde então, outros países africanos, incluindo o Ruanda e o Uganda, assinaram acordos semelhantes. Ao abrigo deste acordo, os países recebem financiamento da saúde dos EUA, mas devem aumentar as suas próprias despesas internas com a saúde.

A Federação do Consumidor do Quénia solicitou ao Supremo Tribunal que suspendesse o acordo, aguardando preocupações sobre a segurança das informações de saúde dos cidadãos.

“A tomada de decisões baseada em dados de saúde no Quénia deve ser pública, auditável e supervisionada de forma colaborativa, com representantes dos consumidores envolvidos no processamento de dados, monitorização e avaliação e supervisão independente”, afirmou a federação num comunicado.

O juiz do Tribunal Superior, Bahati Mwamue, ordenou a suspensão do acordo até que o caso seja ouvido.

“É emitida uma tutela para suspender… ou de qualquer forma afectar o quadro de cooperação em saúde”, disse Mwamue no despacho na noite de quarta-feira.

O Presidente William Ruto procurou tranquilizar os quenianos de que os seus dados serão protegidos.

“O gabinete do procurador-geral… analisou o acordo com um pente fino… para garantir… que a lei que prevalece sobre os dados pertencentes ao povo do Quénia é a lei do Quénia”, disse ele na quarta-feira.

(Reportagem de Vincent Mumo Njilani, Humphrey Malalo e George Obulutsa; edição de Alexander Winning e Ross Russell)

Link da fonte