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Nos bastidores Juan Cedro Há um personagem Artly. Aquele que Roberto Arlt nunca deu nome, mas pode fazer parte de uma de suas histórias. Nesse look também tem um garoto que gosta de palavrões, usando muito a letra “T” para falar (daí seu apelido de “Tata”). Há também um homem de 86 anos que nunca fica parado. Sempre que pode, sobe ao palco para cantar e tocar violão aqueles poemas de Raúl González Túñón, Homero Manzi, Juan Gelman, Luis Alposta ou Arlt, que musicou em diferentes momentos de sua vida.
Suas aventuras dos anos sessenta são famosas em Buenos Aires, especialmente por projetos como Gotán, aquele ponto de encontro no ambiente café-concerto de música, poesia e teatro.. Ele então morou na França por três décadas, começando em meados dos anos setenta. O novo século trouxe coisas novas. Ela virou a página, expandiu sua família, retornou ao Silver Queen para iniciar um novo capítulo em sua vida. Ele viaja para a França pelo menos uma vez por ano porque seus filhos mais velhos estão lá. Mas agora é hora de ficar em Buenos Aires, porque quem veio de Paris é seu amigo, o violinista. Miguel Prinocom quem fundou o já lendário Quarteto Cedrón há seis décadas.
E cada vez que se encontram, revivem aquela formação que veio do tango e da canção crioula, bela parte da herança poética local. Morando novamente em Buenos Aires há mais de vinte anos, Cedron mora em um bairro portenho com casas baixas e árvores frondosas nas calçadas. A sala de sua casa cheira a latas velhas. São eles que avaliam Tata e Miguel. Todos os domingos de janeiro eles se apresentam no Hasta Trilce. Uma oportunidade única de vê-los juntos, revivendo o Quarteto Cedrón com Daniel Frascoli (guitarra) e Miguel López (bandoneon).)
“Juntamos tudo isso, passamos pelas mesmas coisas, nos entendemos”, diz Prino. Tata acrescenta: “Sessenta anos trabalhando, buscando, encontrando coisas. Começamos esse show com ‘Madrugada’ (Gelman), a primeira música que fiz em 1964”, conta.
eu sempre venho Eles nomearam o show. “De certa forma é uma homenagem a Troilo”, afirma através de Nocturno a mi barrio, recital que tem esta frase como leitmotiv. E Prinot, que mora em Paris e vem de vez em quando, sempre chega. A playlist é sobre salvar coisas e identidade. Com os personagens que Thunyon narra, por que não conhecê-los? Aprenda também como era cantado no passado e quais palavras eram usadas. Ou os atuais, porque também há temas de hoje. Um panorama cultural com raízes. Também é bom colocar Tuñon em contato com a poesia de (Héctor Pedro) Blomberg, que escreveu “La pulpera de Santa Lucía” ou “Aquela que morreu em Paris”, que era secretário de Bomblreg e parente francês de (Domingo). Foi ele quem foi para a França com ela e morreu lá. Bem, mas Blomberg escreveu coisas como “The Australian” ao mesmo tempo que Tounion escreveu “Put a twenty cent hole”. A ideia é guardar as pequenas coisas que a poesia tem. “Austrália”, por exemplo, que toquei música de cumbia e que é cantada por Black (Rodriguez Mendes), um dos cantores de La Delio Valdez, é sobre a morte de um menino. E as palavras dizem: “Serão 14 anos antes do Natal chegar.”“.
– Pai, você volta a Paris de vez em quando?
– Sim, mais ou menos uma vez por ano, porque tenho dois filhos e seis netos lá.
– Eles jogam na França.
Príncipe. – Até 2017 tocávamos muito, íamos e íamos. Não mais. Tudo mudou muito lá. A França é um país único, culturalmente menos privatizado. Em todas as cidades, grandes ou pequenas, na época do (presidente François) Mitterrand havia show, em locais bem equipados. Hoje não é assim. Mas não é só o problema da França, é o problema do mundo, que está podre.
Cedron. – É mais um estilo norte-americano.
– Já houve um momento como este?
Cedron. – Passamos muitos anos longe daqui. Mas o que vivemos foi uma época de ouro. A partir da década de 1920, muitas coisas aparecem no tango, no cinema e no teatro argentino. Quando termina a Segunda Guerra Mundial, Perón aparece e começa uma interessante política de Estado. Culturalmente foi muito forte. 45 a 70, eu diria que foi glória com golpes de estado. Mas vivemos pelo poder da cultura.
– Qual foi a reação do Gotan local?
Cedron. – Nada. Não éramos contra nada. Temos uma atitude crítica. Mas Gotan foi criado porque queríamos jogar. Não estávamos em um círculo comercial. Cantávamos obras de Gelman e Urondo, não tocávamos tango tradicional nem música club del clan. Estávamos ouvindo os Beatles, mas não fazíamos isso, estávamos fazendo nossas próprias coisas. Gotan tinha tango tradicional e Piazzolla, folclore, peças de Paco Urondo e Tito Cossa.
– Como abriram o lugar?
Cedron.– Nós jogamos abertura artistas, universidades. Tínhamos um amigo, José Luis Mangeri, editor de livros, que nos contou que havia um lugar para alugar em Talcahuano 360 por sessenta lucas. Era enorme, mas não tínhamos dinheiro. Perguntamos a Manolito Mosquera, que era caixa da livraria Fausto. E então nós o recuperamos. Refizemos o local. Quando abrimos, o primeiro cliente pediu uísque. Dissemos a ele que cobramos antecipadamente. Na verdade, foi porque não tínhamos uísque e tivemos que comprá-lo do outro lado da rua. Gotan estava lotado e nunca anunciamos. Dez da noite e quatro da manhã pode haver Piazzolla ou Rovira, nós e La Porteña (banda de jazz), e algumas peças de teatro ou fantoches.. Quase dois anos se passaram até que Ongania chegasse e tudo apodrecesse. A polícia estava sempre lá, entrando para pedir documentos.
– Quando você decidiu focar na Europa?
Cedron. – Em 1972, estávamos com Tato Bores no programa dele. Da mesma forma, trabalhamos o máximo que pudemos. Eu ensinei, por exemplo. Nessa época veio para Buenos Aires Paco Ibanez, de quem nos tornamos amigos. Paco gostou dos Quatro. Ele nos levou para a Espanha para tocar lá. Ele nos deu dois carros e nos conseguiu um emprego. Depois fomos para França com o álbum que gravamos em Espanha. Voltamos para Buenos Aires e depois viajamos duas ou três vezes até ficarmos lá em 74.
– Em “Palavras sem importância” Manzi diz: “Nada aproxima você do que a distância.” Seu retorno teve algo a ver com isso.
Cedron. – Um dia, Acho Manzi colocou a mão no bolso, tirou um papel dobrado e disse: “Aqui está o poema do meu velho, coloque música se quiser”. Depois fiz um álbum completo com poemas de Mantsi. Havia vários poemas de Manzi que não tinham música. Ele também me deu um poema que Acho escreveu para seu pai quando ele morreu. Tudo isso é uma experiência forte, não há negócio por trás disso.
– Até que ponto essa expressão poderá afectar o seu regresso?
Cedron. – Não sei. Voltei em 2004. Mas ultimamente tenho pensado muito em distância. Para os meus filhos, para os amigos, para aqueles que não estão aqui. Caras como James Torres ou Osvaldo Tarantino, que nos ajudaram muito. O que eu faço é guardar coisas das cartas. Tunyon diz em “Ladrões”. “Todo mundo vive como quer.” O outro, Shakespeare, com “ser ou não ser”. Olha, foi preciso um homem para dizer isso (risos). Ou quando Roberto Arlt diz “rajá turrito, rajá”, ele deixa a frase para sempre. Manzi falou muito sobre o mistério. Meu irmão Alberto usou uma expressão de tango quando você perguntou como ele estava. Ele respondeu: “Pagando porcaria velha‘. (risos novamente).
– Mas não deveria ser como aquele que seu avô deixou.
Cedron. – Quando você canta, você não pensa mal. Que expressão bárbara! Estamos cheios de música. (Ele pega o violão ao lado dele e começa a tocar a música Gardeliana “Distant Land of Mine” para mostrar a curiosidade de uma música que vai do menor ao maior na mesma progressão de acordes.)
– Quando você voltou a morar em Buenos Aires, você disse que seu jeito de falar espanhol era antigo. Como você está se sentindo agora?
Cedron. – Falo da mesma maneira. Cortazar me amou por isso. Porque ele falou como se estivesse nos anos cinquenta.
– Esse modo é o que você tem no palco. Desperta a curiosidade nos jovens?
Cedron. – Em geral as pessoas são sensíveis. Eles vão ouvir você por um motivo. Paco Ibanez disse-nos para compreendermos que naquela noite havia trezentas pessoas que abriram as portas de suas casas para vir até nós.
– Como está o tango hoje?
Cedron. – As crianças saíram de Piazzolla, viram o que havia para trás. No passado, os músicos se gabavam de não tocar como os outros. Porque os meninos do D’Arienzo não jogavam como os meninos do Pugliese. Mas agora eles passam por bandas diferentes. Um músico que tocou comigo, com quem conversei sobre isso, me disse: “Pai, o que há de errado com a voz de todo mundo agora?” E isso não está erradoeu.
eu sempre venho Quarteto Cedron. 18 e 25 de janeiro, domingos às 20h, Hasta Trilce, Maza 177. Ingressos a partir de US$ 25 mil.




