Supremo Tribunal Federal impôs dura sentença pelo assassinato de Marielle Franco Notícias do Tribunal

O assassinato de Franco, um ativista, levantou questões sobre violência política e corrupção dentro do governo brasileiro.

Um painel do Supremo Tribunal Federal do Brasil condenou cinco homens acusados ​​de planejar os assassinatos em 2018 da líder de direitos humanos que se tornou política, Mariel Franco, e de seu motorista, Anderson Gomes.

Os juízes do painel foram unânimes na decisão de quarta-feira, que marcou o culminar de um julgamento observado de perto que levantou questões sobre polarização, corrupção e raça na sociedade brasileira.

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“A justiça humana não é capaz de amenizar esta dor”, disse a juíza Carmen Lucia às famílias das vítimas enquanto o tribunal condenava os cinco réus a décadas de prisão.

Na época de sua morte, Franco, 38 anos, era vereadora na cidade do Rio de Janeiro, com apenas um ano de mandato. Ela foi considerada um membro emergente do socialismo de esquerda e do Partido da Liberdade.

Como uma mulher negra das favelas – os bairros densos e de baixa renda do Brasil – Franco era mais conhecida por fazer campanha pelos direitos das pessoas LGBTQ, das minorias étnicas e das mulheres.

Ela usou sua plataforma para denunciar a violência policial excessiva nas favelas e a aquisição ilegal de terras pelas autoridades locais.

No dia 14 de março de 2018, após um debate noturno no Rio de Janeiro, um carro parou ao lado do veículo que transportava Franco e Gomes.

Os agressores dispararam 13 balas contra seu veículo. Franco e Gomes morreram e um auxiliar do veículo também ficou ferido.

Os promotores consideraram o ataque um assassinato destinado a silenciar Franco e impedi-lo de reagir contra interesses poderosos.

Na decisão de quarta-feira, os juízes do Supremo Tribunal consideraram o ex-deputado Chiquinho Brazão e o seu irmão Domingos Brazão – vereador do Tribunal de Contas do Estado do Rio – de conspirarem para matar Franco em resposta aos seus esforços para acabar com as apreensões ilegais de terras.

Os dois irmãos lucraram com os esforços para reivindicar terras públicas no Rio de Janeiro para desenvolvimento privado. Anteriormente, ele era considerado um dos políticos mais poderosos da cidade.

Eles foram presos em 2024 e ambos foram condenados a 76 anos de prisão como parte da decisão de quarta-feira.

Três de seus co-réus também receberam longas penas de prisão. Um deles, Robson Calixto Fonseca, era assessor dos irmãos Brazão e foi condenado a nove anos de prisão por formação de quadrilha.

Os outros dois são policiais. O ex-investigador policial Rivaldo Barbosa foi condenado a 18 anos de prisão por corrupção passiva e obstrução à justiça. O policial Ronald Paulo Alves Pereira foi condenado a 56 anos por homicídio e tentativa de homicídio.

Todos os cinco condenados na decisão de quarta-feira negaram responsabilidade criminal.

Os promotores creditaram as informações de dois homens que realizaram as batidas por revelarem o envolvimento de seus cinco supostos co-conspiradores.

Esses suspeitos foram previamente identificados como dois ex-policiais, Rony Lessa e Elcio Queiroz. A dupla foi presa em 2019 após ser acusada de ser a autora do assassinato.

Segundo os promotores, os dois homens acabaram assinando acordos de confissão que levaram à prisão dos irmãos Brazão. Em outubro de 2024, Lessa e Queiroz foram condenados a 78 e 59 anos de prisão, respetivamente.

Autoridades indicaram que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que retornará à presidência em 2023, abriu caminho para uma investigação mais ampla.

Ao proferir seu veredicto na quarta-feira, o ministro Alexandre de Moraes descreveu as mortes como parte de uma “operação tipo milícia” realizada para “preservar ganhos financeiros e manter o poder político”.

Enquanto isso, o grupo de direitos humanos Anistia Internacional classificou as audiências desta semana como um “teste decisivo” da “disposição do Brasil para enfrentar a impunidade”.

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