Por JONATHAN LANDRUM Jr., escritor da AP Entertainment
LOS ANGELES (AP) – Ruth E. Carter fez história novamente.
Com sua indicação ao Oscar por “Pecadores”, Carter se tornou a mulher negra mais indicada na história do Oscar em qualquer categoria, anunciou a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas na quinta-feira. A impressionante figurinista foi reconhecida por seu trabalho no épico blues de vampiros de Ryan Coogler, ambientado no Delta do Mississippi na era Jim Crow.
“É… orgulho, gratidão, responsabilidade”, disse Carter à Associated Press. Anteriormente, ela ganhou o Oscar por “Pantera Negra” em 2018 e “Pantera Negra: Wakanda Forever” em 2023, tornando-se a primeira mulher negra a ganhar dois prêmios da Academia.
Carter é agora indicada cinco vezes, superando a atriz vencedora do Oscar Viola Davis. Ela está empatada com o colaborador de longa data Spike Lee e Morgan Freeman como o terceiro maior número de indicações entre os criativos negros, atrás de Quincy Jones e do falecido Denzel Washington.
“Este é um grande passo no desenvolvimento de nossas vozes em Hollywood”, disse ela.
Durante sua carreira, Carter moldou a linguagem visual de alguns dos filmes mais influentes de Hollywood. Ela recebeu indicações ao Oscar por seu trabalho em “Malcolm X”, de Spike Lee, e “Amistad”, de Steven Spielberg, e recebeu elogios por reprisar conjuntos de época em projetos como “The Butler”, “Selma” e “Roots”. Washington, Oprah Winfrey, Eddie Murphy e Jerry Seinfeld também usaram seus designs, inclusive para o piloto original de “Seinfeld”.
“Minha trajetória foi contar a história da cultura”, disse Carter. “Nossa história está sendo apagada enquanto falamos. Portanto, ter essa responsabilidade de contar nossas histórias – e de ser o mais autêntico possível – é uma celebração e um prêmio.”
Em “Sinners”, Carter disse que abordou o figurino como um ato de defesa e não de decoração, determinada a proteger a verdade visual da vida da classe trabalhadora negra, especialmente dos meeiros e migrantes no início do século XX.
“Fizemos algo do nada”, disse ela. “Minhas mãos estavam abaixadas. Tinha remendos. Se a calça fosse comprida, a gente dobrava para cima. Se tinha bainha, a gente deixava. Queríamos mostrar como tiramos as coisas de onde estavam e ainda encontramos um jeito de comemorar.”
A indicação marca outra colaboração com Coogler, que Carter acredita ser uma voz vital para o futuro do cinema negro.
“Agradeço ao Senhor pelo nascimento de Ryan Coogler”, disse ela rindo. “Porque continua a contar histórias que são importantes para a cultura.”
Carter disse que a nomeação também mostra poder de permanência em um setor frequentemente definido por reorganizações.
“Fui a primeira pessoa indicada. Fui a primeira pessoa a vencer. E ainda estou no jogo”, disse ela. “Se estar aqui diz alguma coisa aos jovens designers, espero que não seja um acaso. É um trabalho árduo. É uma voz. É uma visão. E está esperando.”




